O Judaísmo Sefardita

PARTE 1


GLOSSÁRIO:
Sefarditas (em hebraico ספרדים, sefardi; no plural, sefardim)
Asquenazes ou asquenazitas (do hebraico אַשְׁכֲּנָזִי "ashkenazi";plural אַשְׁכֲּנָזִים ashkenazim)
Em nosso trabalho, usaremos a palavra "Sefaradita" e Asquenazita.

INTRODUÇÃO
Para um se ter um entendimento do judaísmo Sefardita, trataremos um pouco da história dos judeus no exílio e a formação dos dois movimentos distintos:

  • Sefardita 
  • Asquenazita

JUDAÍSMO ASQUENAZITA:

Definições de Movimentos:

1.    REFORMISTA
2.    ORTODOXO
3.    MASORTI
4.    CONSERVADOR
5.    LIBERAL

REFORMISTA
Foi o 1º Movimento a surgir – Frankfurt – Berlim – Alemanha (1840-1850) – Rab Moses Mendelssohn  -
Motivo: O afastamento dos judeus das sinagogas - Implementou um judaísmo diferente nos ritos, tornando mais fácil e acessível.
Tirou a separação entre homens e mulheres para que as famílias sentassem juntas.
Foram tiradas as Brachots referentes ao Mashiach, pois achavam que não deviam depositar suas esperanças em um ser humano.
Foram tiradas todas as orações referentes ao sacrifício do templo, não queriam falar de sangue.
Traduziram as Brachots para o alemão.
Não guardavam grande parte das leis kashrut, alegando que nos tempos antigos não havia refrigeração e com a “evolução” deveria ser reavaliado.


MOVIMENTO ORTODOXO
Surge em oposição ao movimento reformista

MASORTI
 Com a chegada dos judeus nos EUA, o judaísmo ortodoxo era de assimilação e o Reformista era extremamente liberal, surge então um movimento "intermediário" chamado de  Masorti.

O maior e mais organizado movimento é o REFORMISTA, pois existe uma  padronização em todas as sinagogas do mundo.
Quanto ao movimento ORTODOXO existem grandes variações quanto as classificações e ritos: ortodoxo, ultra ortodoxo, ortodoxo moderno, hassidim ...
82% dos judeus não estão filiados a nenhum movimento.
18% estão filiados a alguma instituição.
O JUDAÍSMO SEFARDITA não se enquadra em nenhuma dessas classificações citadas. Quando alguém procura a conversão, o fazem-na ao judaísmo e não para classe a, b ou c.

O judaísmo SEFARDITA não sofre divisão alguma, porém existem algumas comunidades SEFARDITAS que sofreram a influência ASQUENAZITA.

Quando os judeus SEFARDITAS chegaram a Jerusalém encontraram judeus da Lituânia com Yeshivot estabelecidas dentro do rito ASQUENAZITA, o que até hoje mesmo sendo comunidades diferentes são sujeitos a halachá ASQUENAZITA.

Dentro da cultura Sefardita uma resposta haláchica deve gerar uma explicação que possa gerar na pessoa um entendimento, e não uma resposta como um "conceito fechado". Um rabino pode ainda indicar outro rabino, caso este não se ache capaz de ter uma responsa adequada sobre a questão.

Outros grupos:

Neturei Karta
Em hebraico נטורי קרתא do aramaico "guardiões da cidade" é um grupo de judeus ultraortodoxos, que rejeitam o sionismo e se opõem ativamente à existência do Estado de Israel, sendo por isso acusados, por outros grupos judaicos, de serem "pró-árabes". O grupo é constituído por cerca de 5.000 membros, concentrados principalmente em Jerusalém, mas há outros grupos menores, associados aos Neturei Karta em Israel, nos E.U.A. e na Inglaterra.


Caraítas
Do hebraico קראים, qaraim ou bnei mikra, "Seguidores das Escrituras", designa uma das ramificações do judaísmo que defende unicamente a autoridade das Escrituras Hebraicas como fonte de Revelação Divina. Os Caraítas formaram um movimento anti-rabínico, pois só usavam a lei escrita, desprezando assim os comentários rabínicos.
Os Caraítas foram combatidos por Saadia Gaom que defendeu uma interpretação da lei judaica segundo a forma humanizantes dos talmudistas. Em virtude de suas reflexões entre as relações entre a religião e a filosofia, passou a ser considerado o primeiro filósofo do Judaísmo.

ISRAEL – ANO 600
Dois diferentes impérios:
  • Bizantino – Cristão
  • Persa – Pagão
Os. Os muçulmanos ainda não existiam.
Israel chamava-se Palestina, quando o templo foi destruído no ano 70 por Roma, para humilhar o povo judeu o nome de Israel foi trocado em lembrança de seu grande inimigo Golias do povo filisteu, dando assim origem a Palestina.

ANO 634 - Invasão Muçulmana Califado Umayyad (omíadas).

ANO 637 - Os cristãos são expulsos e o califado se estabelece, controla a Síria, Judéia, Babilônia, (Iraque) Norte da África

ANO 638  Damasco é usada como capital do governo do Califa Omar ibn al-Khattab ou Umar, da dinastia Umayyad (omíadas).

ANO 691 – O califa, Omar, chega a Jerusalém, não toma a cidade pela força, institui a Convenção de Omar, que determinava o controle muçulmano sobre a cidade, mas reconhecia o direito à liberdade de expressão para judeus e cristãos em Jerusalém.
Encontra a cidade destruída e em péssimas condições, o Templo completamente destruído e na esplanada do templo de Salomão só restava a pedra Even hashtiya que do ponto de vista do judaísmo é a pedra da fundação do mundo. Em cima (ou ao redor, estava o Santo dos Santos).
Omar quando encontrou essa pedra, percebeu que havia uma “marca”. A história muçulmana diz que foi nessa marca que o cavalo de Maomé se apoiou para subir ao céu, nesse lugar foi erguido pelos muçulmanos o domo da Rocha.
Ao redor da plataforma ainda existiam alguns edifícios que eram do Sanhedrim, onde eram decididas as leis, no lugar dos edifícios foi criada a mesquita Al-Aqsa em 691.
Os Umayyad  por razão do péssimo estado da cidade, decidiram derrubar tudo e reconstruir uma cidade nova. Tombaram grande parte da cidade e os escombros foram apoiados sobre grandes colunas em forma de arcos, onde hoje sustenta todo o bairro árabe.

Fotos em maquete no Túnel do Kotel em Jerusalém

 MURO SEM O BAIRRO ÁRABE

MURO COM O BAIRRO ÁRABE

O TÚNEL DO KOTEL ABAIXO DO BAIRRO ÁRABE

Passado o tempo, surge outro califado, os Abásida Ele foi governado pela dinastia Abássida de califas, que construíram sua capital em Bagdá, tomam o controle em Israel sobre Israel.
Haviam Judeus que moravam no Iraque, porque até então havia uma tolerância religiosa, portanto os judeus permaneceram no Iraque por muito tempo, desenvolveram escolas avançadas para o estudo do judaísmo e duas Yeshivot uma em Sura e outra em Pumbedita, onde foi escrito a Guemará.
MISNAH + GUEMARÁ = TALMUD.
A convivência por mais tolerante que fosse por parte dos árabes, haviam leis de segregação racial que obrigavam os judeus a usarem cinturões amarelo, pois a semelhança física entre os dois povos era muito grande, inclusive na questão da circuncisão.
Os Abasidas se estendem ao Norte da África e entram na Espanha conquistando Andaluz e com o primeiro califa de Sefarad, chamado Abd ar-Rahman l (755).
Junto com os árabes, entrou uma grande quantidade de judeus, havia uma liberdade de expressão e os judeus “colheram” (sem assimilar) a cultura grega, a cristã e a árabe e de certa forma incorporaram ao judaísmo.

Fim da introdução (parte 1)
Contribuição: Rabino Sefardita Manny Viñas - Sinagoga The Lincoln Park Jewish Center - new YorkCentro de Estudos Torá Émet 



PARTE 2



Quanto ao destino do exílio dos judeus, o único lugar mencionado no Tanakh é Sefarade, no livro do profeta Obadias 1:20. “...e os cativos de Jerusalém, que estão em Sefarade...”, nome hebraico medieval dado à Península Ibérica, incluindo Espanha e Portugal. O texto também enfatiza que são os cativos de Jerusalém, lugar onde ficava o Beit Hamiqdash (Templo de Salomão) e o Sanhedrim, (Sinédrio). Era o lugar da morada da nobreza de Israel, sabedores disso, eles diziam pertencer à nobreza de Israel.
Sefarditas são descendentes dos judeus de Sefarade.
Em 1478, com os Reis Fernando e Isabel de Aragão no poder, dá-se início a inquisição e a expulsão para outros países, principalmente Marrocos, Salonica (Grécia), Turquia e Portugal e em conseqüência à perseguição, o Brasil e ainda outros países na América Central.
O Sultão da Turquia escreveu uma carta ao Rei Fernando condenando a expulsão dos judeus.
O judaísmo Sefardita compreende um estilo de vida com a preservação de seus ritos e costumes. Não existem divisões como no caso do judaísmo Asquenazi: reformista, ortodoxo, masorti, conservador e liberal, cabendo somente a palavra judaísmo.
Os judeus exilados na França e Alemanha ficaram conhecidos como "ashkenazim" (palavra hebraica para "alemão"), e a situação dos dois grupos nas comunidades onde estavam inseridos, foram bem distintas: os asquenazitas procuravam colocar-se sempre à parte dos goyim (gentios) temendo uma assimilação dos costumes, adotaram uma espécie apartheid, o que os levou a se estabelecerem em guetos, seus filhos não freqüentavam as mesmas escolas que os gentios e o convívio social estava sempre à margem da sociedade.
Napoleão Bonaparte foi um sionista e destruiu os guetos dando liberdade a muitos judeus que desde o quarto Concílio de Latrão, usavam marcações especiais de identificação em suas roupas.
Quando Napoleão foi enfrentar a Rússia, o movimento chassídico (Asquenazi) liderado pelos rabinos, proclama um jejum para que Napoleão não fosse vitorioso, pois isso libertaria os judeus de forma total e poderia levá-los a uma assimilação da cultura gentílica.
Para os rabinos sefarditas esse estilo de vida não faz sentido, pois os judeus em Sefarade eram muito prósperos, não viviam em guetos, tinham uma grande integração com todos e tudo.
Na imaginação Sefardita, Portugal e Espanha (Sefarade), tornou-se a segunda Jerusalém.
Segundo o rabino Sefardita Manny Viñas, dos EUA, Nova York, no Talmude existe um pequeno volume chamado de Guemará Guerím (tratado pequeno) que explica que o exílio foi para que os judeus pudessem interagir com os gentios, isto é, com o mundo que nos rodeia, como também para acolher todos os gentios (goyim) que quisessem se converter ao judaísmo.
O rabino enfatiza que a Guemará Guerím não é muito lida por haver no seu escopo temas muito esclarecedores sobre a conversão ao judaísmo.


20 comentários:

  1. Na minha familia só havia casamentos entre os parentes. Essa tradição só acabou com o casamento do meu pai com a minha mãe que não eram parentes entre si.O meu bisavô chama-se Leocarpo Pires de Andradeo meu avô de Antonio pires da rocha e meu pai Benedicto pires da rocha e eu sou Pires da Rocha, portanto, todos esses sobrenomes constam da relação dos serafaditas e eu Darcy Pires da rocha sou descendente dos marranos sefaraditas. pires.darcy@gmail.com

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    1. Prezada Darcy,
      Tomo a liberdade de assinalar a entrada em vigor, no dia 01/03/2015, da alteração ao Regulamento da Nacionalidade Portuguesa que permite a naturalização a descendentes de judeus sefarditas portugueses.
      Aproveito também para indicar o nosso site exclusivamente dedicado à aquisição da nacionalidade portuguesa por essa via: www.sefarditasportugueses.com.br

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  2. Você tem tradição judaica?
    Eu gostaria de fazer exame genético, nessa parte de corpo, é a palavra final!

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  3. meu pai se chamamava josé luis ávila carvalho ,e me contava como nossa familia , foi expulsa da espanha , fugirão de navio , mas os homens adultos ficarão pra seren martirizados por , sua fé judaica , essa era história que meu pai emeutio me contavão , que eles morrian gritando adonai adonai

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  4. se for possivel gostaria de fazer exame genético pra comprovar minhas raizes judaicas, e mesmo que não seja quero me converter ao judaismo assim mesmo eu amo o DEUS DE MOSHÈ ,meu pai me ensinava que israel é a nasção escolhida por DEUS , que é dever de todo aquele que ama a DEUS honrar a israel , defendelo a qualquer custo , mesmo que isso signifique a morte ou , prisão ou exilho

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    1. Prezado Joel,
      A prova da ascendência sefardita não se faz através de exame genético, mas sim através de pesquisa genealógica (www.sefarditasportugueses.com.br).
      Att.
      Rui da Fonseca e Castro

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  5. Onde devo pesquisar acerca da minha ascendência Sefaradita? Sou de Pernambuco,meus avós eram donos de engenhos de cana,praias,grandes extensões de terras, Juízes,Visconde,Conselheiro,e casavam somente entre si. Eram Católicos ,mas tinham práticas,escondidas de não católicos...faziam jejum na semana santa,não usavam dinheiro aos sábados, nem trabalhavam aos sábados, meus avós,meu pai, falavam que suas origens eram da Europa,Portugal e Espanha. Sobrenomes das Famílias: Materno: Souza,Meneses,Coutinho,Bandeira de melo,Bandeira de Lima,Guimarães. Paternos: Almeida ,Martins,Oliveira,Corrêa,Lins.

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  6. Isaac Levy Ximenes, sem nenhuma dúvida meu ancestral, tem seu nome gravado na Sinagoga Portuguesa de Amsterdam, encabeçando os construtores daquele grande templo inaugurado em 1675 por Aboab da Fonseca que com ele também fez parte da Kaal Tzur Israel no Recife. Daury Ximenes.

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  7. Isaac Levy Ximenes, meu ancestral, tem seu nome gravado na Sinagoga Portuguesa de Amsterdam, inaugurada em 1675, por Aboab da Fonseca. Os dois estiveram no Recife, ligados à Kaal Zur Israel, primeira sinagoga das Américas.

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  8. muito bom cegumos todas as tradiçoes nuca fomos imdolatras um povo muito fiel e defesor do judaismo os rabinos nao quer retor nar os judeus brasileiros vamos aguardar o mashia pra compretar a obra shalom 73 981099085 claro

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  9. E os descendentes de sefarditas espanhóis? Existe algum site para pesquisa/auxílio? Ví meu sobrenome "Bermejo" na lista. macbermejo@gmail.com

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  10. Por gentileza, não quero passaporte, nacionalidade, não quero nada disso. Só quero poder frequentar uma sinagoga e cumprir o mais corretamente possível a rotina de uma pessoa que é adepta do judaísmo. O problema está em encontrar essa sinagoga que aceite um recém converso. O que poderia sugerir, por gentileza ? Eduardo Bastos, 46 anos, Ermelino Matarazzo (zona leste - São Paulo - SP) Professor da rede estadual de ensino do estado de São Paulo.

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  11. Andei pesquisando sobre a minha ascendência judaica e vi que os meus dois sobrenomes constam como positivo FERNANDES e MOREIRA, vcs confirmam?

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  12. Andei pesquisando sobre a minha ascendência judaica e vi que os meus dois sobrenomes constam como positivo FERNANDES e MOREIRA, vcs confirmam?

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  13. Olá, gostaria de entrar em contato com o dono do Blog.

    contato@cidadaniaja.com.br

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  16. Sou descendente de marranos além de costumes e sobrenomes,minha família fez árvore genealógica e exame de adn constatamos que temos ancestralidade sefardita.

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