B'nei Anussim

B’NEI ANUSSIM


ESSAV (ESAÚ), O ANTISSEMITISMO EM SUAS RAÍZES


Essav (Esaú) depois de ter perdido sua benção da primogenitura, esperava somente que seu pai Yitzchak morresse para que ele matasse seu irmão, pensando assim, matando o irmão ele recuperaria "sua benção"
Essav só pensava em tomar o lugar de Yaakov, quando ele implorou por uma benção de seu pai Yitzchak ele a recebeu, porém uma benção limitada a esse mundo, como está em Gênesis 27:40 
"Eis que nos melhores lugares da terra será tua habitação, onde o orvalho cai do alto; por tua espada viverás"

Essav vive nas melhores terras, toda Europa e todo ocidente.
Os judeus Sefaraditas (do hebraico Sefardim, no singular Sefardi) são todos provenientes da Península Ibérica (Sefarad), por muitos séculos foram perseguidos durante o período da Inquisição Católica. E por este motivo, fugiram para países como Holanda e Reino Unido; além dos países do Norte da África e da América como: Brasil, Argentina, México e EUA; e desse modo, tiveram que seguir suas tradições secretamente como cripto judeus ou até mesmo abrir mãos das Tradições do Judaísmo, tudo em busca da sobrevivência. Sendo que alguns ainda tiveram que se converter forçadamente ao Cristianismo Católico. 
Neste caso, a partir da Inquisição espanhola de 1478 até 1834, em que Judeus e inúmeros outros indivíduos, foram julgados por possíveis atos contra os preceitos da Igreja. Sendo que os Judeus foram expulsos da Espanha no ano de 1492. (9 de AV) 


SOBRE O 9 DE AV


  • A destruição do Primeiro Templo
  • A destruição do Segundo Templo
  • O império romano arou todo o Monte do Templo destruindo todo vestígio que poderia ser identificado do Templo
  • Édito de Expulsão dos Judeus de Espanha, pelos Reis Católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, em 1492.

Persegudosi e desamparados, os Judeus espanhóis tiveram que se refugiar em Portugal. Estando lá, foram feitos escravos, embora conquistassem a liberdade em 1495, beneficiados com a Lei promulgada por D. Manoel ao subir ao trono. Mas em 1496, assinou um acordo que expulsaria todos os Judeus Sefaraditas (ou Marranos) que não se sujeitassem ao batismo Católico. Sendo que no ano seguinte, as crianças Judias de até 14 anos foram obrigadas a se batizarem e em seguida adotadas por famílias Católicas.
Com a descoberta das terras brasileiras em 1500, pela a esquadra de Cabral, a sorte de muitos Judeus mudaria. Pois em 1503, o Judeu Fernando de Noronha com uma considerável lista de Judeus, apresenta o projeto de Colonização a D. Manoel. Porém, o Povo Judeu ainda passaria por mais um triste episódio, quando em 1506, milhares de Judeus foram mortos e queimados pelo Progom da capital portuguesa. Além de tais Judeus (Cristãos Novos) terem presenciado o contraditório D. Manoel estabelecer a lei que daria a eles liberdade e os mesmos direitos dos Católicos, em 01 de março de 1507. O mesmo D. Manoel que em 1515 solicita ao papa um sistema de Inquisição semelhante da Espanha.
E desse modo, a solução para estes Judeus Marranos, foram a de aderirem ao movimento de Colonização do Brasil, quando em 1516, D. Manoel distribui ferramentas gratuitamente a quem quisesse tentar a vida na Colônia.
Em 1524, D. João III confirma a Lei de D. Manoel (de 1507), que consolida a lei de direitos iguais aos convertidos à força. No ano de 1531, Martin Afonso de Souza (aluno do Judeu Pedro Nunes), recebe de D. João III a autorização de colonizar o Brasil sistematicamente. Em que 1533, o mesmo funda o primeiro engenho no Brasil.
Durante um bom tempo, os Judeus passaram por inúmeras revira-voltas quanto a benefícios, confiscos, inclusive a morte. Porém, os mesmos gozaram de plena liberdade religiosa durante o domínio holandês de 1637 a 1644 (na gestão de Maurício de Nassau), quando fundaram a primeira sinagoga no Brasil, a Zur Israel. Mas, com a retomada portuguesa em 1654, os Judeus foram de fato expulsos e alguns migraram para outros países.
No período de 1770 a 1824, os Judeus passam por mais uma fase de aceitação; sendo que em 25 de maio de 1773, é estabelecida a abolição dos termos Cristãos Novos (Judeus) e Cristãos Velhos (Católicos), passando todos a terem os mesmos benefícios e sem distinções.
A partir de 1824 os Judeus Sefaraditas ou Marranos, passam por um período de “assimilação profunda”, isto é, inicia-se uma fase parcial esquecimento de suas Tradições, devido a séculos de repressão e pelo contato direto e extensivo com uma cultura etnocêntrica, que mesmo os aceitando perante as leis, tratavam-nos com desprezo e repressão. A solução mesmo, partiu do pressuposto do esquecimento e sectarismo, o que permitiu com que várias gerações crescessem sem ter uma real noção de suas legitimas raízes.
Desse modo, estima-se que no Brasil, vivam cerca de um décimo (1/10) ou até mesmo 35 milhões de Judeus Sefaraditas, entre eles os Judeus Asquenazitas (provenientes da Europa Central e Oriental).

B’NEI ANUSSIM EM HEBRAICO SIGNIFICA LITERALMENTE “FILHOS DOS FORÇADOS”

Filhos dos marranos, termo que designa os descendentes dos judeus que na época da Inquisição foram obrigados a se converter ao cristianismo sob pena de morte cruel.



É no Brasil que o termo B’nei Anussim aparece pela primeira vez.
Na Península Ibérica, os judeus forçados à conversão ao catolicismo eram chamados de cristãos novos, Anussim ou marranos (de uma forma pejorativa), que em espanhol significa porco. Citamos também o termo Cripto-judeu, que é a prática do judaísmo de forma secreta, sendo que publicamente professavam outra fé, exteriorizando o catolicismo.


Os judeus viveram o seu apogeu na Península Ibérica nos séculos X e Xll e a medicina, a filosofia, a literatura entre os judeus ibéricos eram de grande expressão.
Os judeus estavam bem estabelecidos. Apesar da presença muçulmana na Espanha, a cultura judaica não era afetada, pois se expressava em toda a península de todas as formas, criando até um Centro de estudos cabalístico em Girona, de grande repercussão.
Mais tarde, sobe ao poder na Espanha dois reis católicos: Fernando e Isabel de Aragão, que com a bandeira do catolicismo, conseguiram unificar os reinos ibéricos. Dessa união, surge de forma consolidada a Espanha.
O reino culpava os judeus, diante da Santa sé romana, de todos os males que afligiam os reinos espanhóis da Inquisição, com o famoso manual inquisitório “Directorium Inquisitorum”.  Para os judeus, dizia-se: “a morte ou água benta”. Centenas de milhares de judeus foram batizados, porém guardando em suas casas os ritos judaicos, o que lhes rendeu maior perseguição, começando então os Pogroms: ataques violentos  em massa aos judeus, onde cerca de 50 mil foram mortos e cerca de 120 mil fugiram para Portugal.

Isabel de Aragão, princesa da Espanha, casa-se com D. Manuel I, rei de Portugal que logo promulga um decreto no qual as crianças judias até 14 anos são sequestradas e distribuídas em lares de famílias católicas e os adultos são batizados de forma compulsória. Começa então, em Portugal, o aparecimento dos B’nei Anussim (filhos forçados).


JUDEUS NO BRASIL


O PRIMEIRO CICLO PORTUGUÊS (1500-1630) – Com o descobrimento do Brasil no ano de 1500 por Pedro Álvares Cabral.

O CICLO HOLANDÊS (1630-1654) – A Holanda ataca Pernambuco com uma poderosa esquadra de 70 navios, guarnecidos por 7000 homens, com uma grande quantidade de judeus entre eles.
Durante seu domínio, a Holanda enviou seu príncipe (Maurício de Nassau) para governar as terras que havia conquistado e formar nestas uma colônia holandesa no Brasil. Neste período, o príncipe holandês dominou enorme parte do território nordestino. 
Os anseios de paz e liberdade em solo brasileiro e a contínua e avassaladora perseguição religiosa imposta pela Inquisição favorecem o estabelecimento de uma grande comunidade judaica no Brasil.

No período da invasão holandesa no nordeste do Brasil, Pernambuco tornou-se uma das comunidades judaicas mais florescentes do mundo, recebendo judeus refugiados de vários países, o que deu a Pernambuco um perfil de uma cidade totalmente judaica, onde havia a sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira das Américas, com Yitzchak Aboab da Fonseca, como rabino e Moisés Rafael  de Aguiar, como o Hazan.
Havia também na Ilha de Itamaracá uma comunidade liderada pelo rabino Jacob Lagarto, que era um escritor talmúdico.
Os cristãos Novos (criptojudeus) e os que fugiam da conversão chegavam ao Recife e praticavam os ritos e costumes judaicos dentro de casa para evitar a acusação de heresia. A conversão e as práticas às escondidas não eram uma escolha, os criptojudeus, como ficaram reconhecidos aqueles que praticavam suas crenças de forma velada – tinham a morte na fogueira em praça pública como destino certo caso fossem de encontro à inquisição.
 Após algum tempo, ocorreram muitas revoltas devido aos altos impostos cobrados pelos holandeses. Após muitos conflitos, o governador Maurício de Nassau deixou seu cargo. Este fato facilitou a ação dos portugueses, que tiveram a chance de reagir em batalhas como a do Monte das Tabocas e a de Guararapes.  
Em 1654, após muitos confrontos, finalmente os colonos portugueses (apoiados por Portugal e Inglaterra) conseguiram expulsar os holandeses do território brasileiro.
Não se sabe ao certo o destino de todos os judeus que vieram no período da invasão holandesa, porém é notória a presença holandesa na miscigenação da população brasileira nesta região.

Partes desses judeus foram para a América do Norte, vencendo todo tipo de dificuldades, estabeleceu-se em Nova Amsterdã, atual Nova York a Shearith Israel, a primeira comunidade americana.



O SEGUNDO CICLO PORTUGUÊS (1654-1822) - Com a queda de Recife e saída dos holandeses, entrou em plena desagregação a comunidade judaica do Nordeste do Brasil, porém mais judeus vieram de Portugal devido à independência do Brasil de Portugal, quando na época o Brasil passou a chamar-se de Império do Brasil.

A COLONIZAÇÃO DO BRASIL


A imigração para a colonização do Brasil era difícil  por parte dos portugueses cristãos, pois seus interesses eram voltados para o comércio nas Índias. Os navios chegavam  repletos de condenados, exilados e criminosos portugueses. Chegavam também um grande contingente de voluntários judeus, fato este que mostra a importância dos judeus na colonização do território brasileiro.
Os dados do IBGE (não oficial, tirado de reportagem em jornal) apontam que cerca de 50 a 70% dos brasileiros possuem alguma ascendência judaica
O que restou da influência judaica no Brasil está comprovado em nossos hábitos, costumes, tradições e vocabulário, que foram passados de geração em geração por mais de 500 anos. No Nordeste, muitas das tradições judaicas permanecem vivas e são praticadas mesmo sem saber o motivo ou estando esse distorcido, como uma espécie de Lei da família. Independente da religião praticada a cultura é mais forte do que a religião.
Exemplos:
  • Passar a mão sobre a cabeça: isto é, perdoar, acarinhar, consolar uma falta de alguém. É a bênção judaica.
  • Jurar pelo descanso eterno de um morto querido: juro pela alma do meu pai, ou da minha mãe, e assim por diante. É resíduo de um rito judaico.
  • Deus te crie: ante o espirro de uma criança. Herança da frase hebraica – Hayim Tovim.
  • Amuletos: usado muito no interior, os signos de Salomão ou de David (a estrela de seis pontas) e até mesmo nas porteiras e muros das casas, embora para o judeu não seja amuleto, (Segulot) mas seu significado foi deturpado entre os descendentes assimilados.
  • Varrer a casa: da porta para dentro das casas, costume arraigado até os dias de hoje.
  • Passar mel na boca: quando da circuncisão, o Rabino passa o mel na boca da criança para evitar o choro. Daí a origem da expressão: “Passar mel na boca de fulano”.
  • Massada: palavra muito usada pelos mineiros para explicar uma tragédia: “foi uma massada”. A fortaleza de Massada, perto do Mar Morto, foi destruída pelos romanos nos anos 70 d.C., quando pereceram muitos judeus.
  • Lavar os mortos: Costume usado no interior das Minas Gerais e regiões do Nordeste. Usado hoje somente nas regiões mais remotas
  • Para o santo: o hábito nordestino de, antes de beber, derramar uma parte do cálice, tem raízes no rito hebraico milenar de reservar, na festa do pessach (páscoa), copo de vinho para o profeta Elias (representando o Messias que ainda virá).
  • Jogar punhado de terra no caixão: costume de jogar terra no caixão quando ele é descido na sepultura.
  • Mezuras: fazer mezuras, reverências. Talvez venha do Mezuzah colocada nas portas, da casa dos judeus.
  • Carapuça: a expressão “fulano de tal pôs a carapuça”, ou “esta carapuça não serve para mim”, vem dos tempos da Inquisição, quando o réu era obrigado a colocar uma carapuça sobre a cabeça, assumindo a culpa.
  • Judiar: termo/dito-popular que vem dos tempos da Inquisição, em que se maltratavam e perseguiam os judeus – significa atormentar e torturar os judeus.
  • O abate de aves jogando o sangue em um buraco feito na terra
  • Pedras deixadas nos túmulos
  • Costumes até cabalísticos como acendimento de velas em um prato com mel
  • Muitos nordestinos são avessos à carne de porco, mesmo sem saber explicar o motivo, dizem somente a frase: “É coisa dos antigos”.


O RETORNO


Não se deve de forma alguma dificultar o retorno ao judaísmo dos B’nei Anussim, seja qual for o seguimento do judaísmo.

OS B’NEI ANUSSIM TÊM O DIREITO DE RETORNAR?


Não se fecha uma porta para uma alma que tem despertado um desejo de retornar ao seu povo, por amor ao Eterno e por força de um registro genético judaico no seu sangue. O B’nei Anussim está abraçando não só a fé judaica, mas todo sofrimento, perseguição, discriminação que marca a vida do povo judeu, porém os Anussim mesmo têm em sua identidade as marcas do antisemitismo, escravidão, perseguições, constantes, fugas e o  sangue derramado pelos horrores da Inquisição que os forçou a serem o que são (filhos dos forçados), fato este que associados a tradições e inúmeros documentos confere aos b’nei Anussim serem alvo de objeto de estudo, por grandes autoridades de Israel.



A causa dos Anussim não pode ser esquecida, pois foi um trabalho arquitetado pela Sitra Achra como cita o texto do Sagrado Zôhar na porção Bereshit folha 29ª

“Existem alguns tipos de misturas maléficas, e elas são (representada pelo) gado e seres vivos. Mas há uma mistura do lado da serpente. E há uma mistura do lado das nações que idolatram as estrelas e os signos, que se assemelham aos animais e ao gado. E existe uma mistura do lado dos espíritos malignos, cuja alma é obrigada a fazer maldades e perversidades no mundo. E existe uma mistura que vem dos demônios (Shadim) e dos espíritos noturnos, e tudo isso se mistura em Israel.Mas não há em tudo isso nada mais amaldiçoado do que Amalec, que é a serpente de maldade, outro deus. É ele que revela toda a nudez do mundo, é o assassino, é a filha nascida da união do veneno e da morte, é a idolatria. E Tudo isso é Samael. E existe Samael e Samael (vários tipos de Samael), e não são todos iguais. Mas aquele lado que é da serpente é o mais amaldiçoado de todos”

O EXÍLIO E O RETORNO SEGUNDO AS PROFECIAS


O profeta Obadias: 20 e 21 cita a ida dos judeus para a Espanha (Sefarade) e o seu retorno e a punição daqueles que foram os seus algozes:
“E os cativos deste exército, dos filhos de Israel, possuirão os cananeus, até Zarefate; e os cativos de Jerusalém, que estão em Sefarade, possuirão as cidades do sul. E subirão salvadores ao monte Sião, para julgarem o monte de Esaú; e o reino será do Eterno” .

As profecias seguintes apontam para o retorno dos judeus espalhados entre as nações:
Oséias 11:10 e 11
“Andarão após o Eterno; ele rugirá como leão; rugindo, pois, ele, os filhos do ocidente tremerão. Tremendo virão como um passarinho, os do Egito, e como uma pomba, os da terra da Assíria, e os farei habitar em suas casas, diz o Eterno”.

Jeremias 16:14,15 e 16
Por isso, aproximam-se os dias, diz o Eterno em que não mais se dirá: Assim como vive o Eterno, que retirou os filhos de Israel da terra do Egito, mas sim: Assim como vive o Eterno, que trouxe os filhos de Israel da terra do norte e de todos os países para que os tinha dispersado, pois os trarei  de volta para a terra que dei aos seus antepassados. Trarei muitos pescadores, diz o Eterno, que pescarão; e depois muitos caçadores que buscarão em cada montanha, em cada colina e nas fendas das rochas”


O DESPERTAR  DOS B’NEI ANUSSIM


É de suma importância pesquisar e divulgar a história dos B’nei Anussim através de filmes, documentários, assim como uma maior valorização por parte de historiadores, para que se possa juntar as peças dessa realidade que faz parte da formação do povo brasileiro e sua cultura, e que também dá sentido aos costumes e tradições judaicas que muitos praticam até hoje, mesmo não sabendo o porque.
Após o fim da Inquisição, no início do século XIX, não se tem muito registro dos B’nei Anussim.
A comunidade judaica internacional não tinha total conhecimento da sua história, porém nos dias de hoje, existem várias instituições ligadas a Israel, trazendo luz à questão anussim, porém resta saber ainda como integrar a comunidade Anussim ao povo de Israel, uma vez que um dos intentos da inquisição foi descaracterizar os judeus, isto é quebrar a corrente de gerações, apagar nossas raízes, e isso é testemunhado por centenas de milhares de pessoas quando se dedicam a estudar e levantar sua ascendência genealógica e não conseguem passar do período da inquisição, onde a tudo se confunde.

QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS PARA A INCLUSÃO DOS BNEI ANUSSIM AO POVO DE ISRAEL?

CONVERSÃO OU RETORNO?

CRITÉRIOS LEGAIS PARA O RETORNO DOS BNEI ANUSSIM, SEGUNDO DUAS TESHUVOT MODERNAS.

MORDECHAI ELIAHU (1994) RAV EX CHEFE SEFARADI DE ISRAEL
RAV AHARON SOLOVEITCHIK 
ROSH HAYESHIVA DE BRISK


“Após a conclusão de todos os passos de estudo da Torá, a aceitação do jugo da Torá e seus mandamentos, a circuncisão e a imersão, ele deverá receber um certificado com o título, para ele que retornou aos caminhos dos seus antepassados".
Aceitação na comunidade permissão para contar em um minian, aliá na Torá.
Porém para casar-se com um judeu/judia, deve passar pela conversão plena.


RESPONSAS RABÍNICAS SOBRE O TEMA DOS B’NEI ANUSSIM

Colaboração por Irving Gatell. 
No Shulchan Aruch o Rabino Yosef Caro (1488-1575) concorda, com a  decisão do rabino Isaac ben Sheshet sobre os Anussim que praticaram a fé judaica em segredo, e que não podiam deixar o país (Espanha), devem ser considerado como judeus.
De acordo com a tradição judaica rabínica, é necessário expor alguns pontos em relação ao tratamento dos Anussim e seu retorno ao judaísmo.

Em primeiro lugar, nós precisamos de algumas definições: 
Formalmente, um Anussim é um judeu, forçado a abandonar o judaísmo contra a sua vontade. Ademais, um Anussim é um judeu que guarda lei judaica da melhor forma que pode, e faz todo o possível para deixar sua condição de forçado. 
Um judeu, por definição rabínica, é somente aquele que é filho de uma judia, mas do ponto de vista comportamental é alguém que vive de acordo com a tradição rabínica.
Os Rabinos fazem uma diferença entre os judeus que vivem dentro do judaísmo, e aqueles que não o fazem. A tradição rabínica é o caminho da interpretação e exegese formalizada desde o tempo da Mishná (II e III séculos EC) até o presente. 
A Mishná é a tradição oral, tal como foi formulada por rabinos posteriores do Segundo Templo, a partir do primeiro ao terceiro século, e regula todas as interpretações tradicionais desde então. Formalmente, o modo de vida judaico está organizado de acordo com a tradição rabínica, do nascimento à morte. Um judeu que conscientemente nega a lei, tanto a, como a oral, é chamado de "apóstata" (em hebraico - min). 
Um Anussim da primeira geração, ou um israelita que é rebelde e se assimila a práticas não judaicas, é chamado de "Renegado da Lei" ou "herege". 
Os filhos destes mencionados acima podem ser considerados ANUSSIM, desde que tenham nascidos sob a condição de Avodah Zarah (serviço ou submissão a estrangeira) contra a sua vontade, se isso for provado que a mãe é israelense

EXEMPLOS RESPONSAS RABÍNICA SOBRE O TEMA


ANUSSIM DEVE SER CONSIDERADO JUDEU. 
 a) É sabido que um judeu, mesmo um pecador, é judeu. Se o Anussim tem uma esposa, o Kidush é válido, mesmo se tal Anussim não nasceu como um judeu e não foi circuncidado, da mesma forma se sua mãe é uma Anusá e seu pai um gentio. Sendo assim, ambos os pais são Anussim. 
 b) A eles não exigem um micvê  quando a mãe é judia, pois não são prosélitos, seu Kidush é válido, assim também como o caso de uma viúva cujo cunhado é Anussim e ela está comprometida com ele, mesmo que ele não esteja (ainda) circuncidado. 
 c) Rabi Jacob ibn Habib (1460-a 1515) afirmou que Anussim e seus descendentes devem ser reconhecidos como judeus. 
 d) O rabino Solomon ben Simon Duran (cerca de 1400 a 1467), afirmou que os Anussim devem ser reconhecidos como judeus, incluindo seus filhos não circuncidados, quando for filhos de mãe judia ou Anussim. 

OS ANUSSIM NÃO DEVEM SER COMPARADOS COM PROSÉLITOS COMUNS


micvê não é necessário quando eles retornam ao Judaísmo. Os filhos de Anussim são considerados como tal em todos os aspectos: nada se refere a eles como "não - judeus", o que segundo a Mishná os torna diferentes em relação aos "prosélitos, que não possuem ascendência judaica.
 Anussim são reconhecidos como judeus, e eles devem ser atraídos de volta ao judaísmo, então eles devem ser tratados com carinho, e são devem ser rejeitado (ou dificultado) no seu retorno. 
Um Anussim deve ser aceito no judaísmo, mesmo que seja para o bem de uma menina judia. 
 e) Em 30 de Outubro, 1555, Abraham Sirelao afirmou que não existe  nenhuma diferença entre os Anussim que foram forçados a aceitar o batismo (cristão) em 1391, e aqueles que foram forçados em 1492, 1497 ou 1498.
f) Rabino Yosef Caro (1488-1575) concorda, no Shulchan Aruch, com a decisão do rabino Isaac ben Sheshet sobre os Anussim que praticam a fé judaica em segredo, e eles não podiam deixar o país (Espanha), eles devem ser considerados como judeus. 
 g) O rabino Shlomo Halevi ben Isaac (morto por volta de 1635) devem ser reconhecidos como judeus os Anussim que secretamente aderiram ao judaísmo. Ele baseou sua decisão sobre o rabinos Shlomo ben Aaron ibn Hason e Shelomo ibn Simon Duran. 
 h) O perigo de ser descoberto pelos cristãos fizeram dos os Anussim mais dignos de piedade do que os judeus comuns, pois esses podem observar a sua fé com segurança. 
Em um casamento, realizado em segredo, um Anussim solicitava a outro Anussim para testemunhar, e não um judeu, embora os judeus não possam reconhecer os Anussim como testemunhas. A razão rabínica de considerar o Anussim como testemunhas foi que, aos seus próprios olhos, os Anussim considerem dessa forma mais adequado. 
Os Rabinos se compadeciam daqueles Anussim que tentaram com grande esforço recuperar os seus ritos judaicos, e serem reconhecidos como "os judeus completos". 
j) O rabino Shlomo ben Simon Duran escreveu: "Muitas vezes me perguntam pelos Anussim cujo coração está no lugar correto e que querem viver de acordo com o rito: como deve se fazer com comida durante a Pessach? Se abster de tudo e comerem apenas arroz (ou o seu equivalente), os cristãos poderiam acusar-lhes de estarem continuando a aderir aos ritos de seus antepassados, porém o arroz é comido em todas as casa. 
k) Isaac Levi disse: "Eu perguntei a Davi Oliveira se sua família era descendente de judeus ou gentio, e ele me respondeu: Meu pai era o médico pessoal da Rainha, e me disseram que ele era de descendência judaica, e que tinha irmãos judeus na Turquia. Quando cheguei aqui, fui informado que eu tinha um primo em Tiberíades, e então eu disse, acho que é verdade o que ouvi de meu pai, e que os outros me disseram sobre a minha família. A testemunha disse: Se for assim, então você deve ter misericórdia para com ele, porque ele é de linhagem nobre. David respondeu: “Eu farei tudo o que puder”. O Rabino Moshe Yosef ben Rabi Gedalya foi nomeado herdeiro de David Oliveira. 
 l) Os nascidos em heresia, mesmo que seus pais tenham incutindo a crer e praticarem a heresia desde a infância deve ser considerado Anussim. Todo homem aprende a crer que seu pai ensina verdade e não mentiras e acredita mais nos ensinamentos de seu pai, do que de centenas de pessoas (uma Responsa de 1444). 
"Mesmo quando se trata de linhagem, todo o povo de Israel é irmão. Somos todos filhos do mesmo Pai, rebeldes e criminosos, apóstatas, forçados a se converter, e prosélitos que se juntaram a Casa Yaacov. Todos estes são judeus. mesmo que tenham deixado ou negado Hashem e violado sua leis, o jugo da lei ainda está em seus ombros, e nunca será removido de lá.”

TEXTO RESPONSA RAV AHARON SOLOVEITCHIK, ROSH HAYESHIVA DE BRISK FACULDADE RABÍNICA 1 NISAN 5754 (DOMINGO 13 DE MARÇO, 1994) 

“A quem interessa:
Tomo a liberdade de escrever sobre pessoas nas Américas que reivindicam serem os descendentes de marranos da Espanha e de Portugal. 
Eles devem ser tratados como judeus, contados para míniam, contados para fazer aliá etc.. 
Só quando um desses Anussim desejarem casar com um judeu ou uma judia, deverá ser feita uma conversão completa. Ou seja, eles devem fazer a imersão no Micvê (sem Berachá), e aceito totalmente as Mitzvot e o Pacto da Torá. 
Se um homem, não é circuncidado, deve ser feita a circuncisão. Se já está circuncidado, deverá receber a o hatafat Dam B'rit. 
Com a esperança de que isso esclarece a solução do problema.
Respeitosamente rabino Aharon Soloveitchik




O MITO DOS NOMES MARRANOS

(A dificuldade de estabelecer uma linhagem genealógica)

Anita Novinsky
Laboratório de Estudos Sobre a Intolerância
Universidade de São Paulo

A historiografia romântica sobre os marranos e marranismo criou uma série de mitos em relação aos nomes adaptados pelos judeus durante e após a sua conversão forçada em 1497 em Portugal. O crescente interesse em conhecer a história sefardita, principalmente após 1992, a mente de pessoas subnutridas com fantásticas histórias e lendas, que fez o capítulo Marrano especialmente atraente.
O maior impacto veio quando os historiadores tentaram provar a assimilação ao catolicismo dos "Conversos", ou cristãos-novos e encontraram os cripto judeus, voltados totalmente para a religião judaica e o seu desejo de morrer sem uma conversão de fato e verdade.
Analisando-se os julgamentos da Inquisição, não podemos ter certeza de que as confissões do judaísmo eram verdadeiras.
Ao ser torturado, o Anussim confessava tudo que os inquisidores queriam ouvir e acusaram amigos, vizinhos, familiares. Quando examinamos os documentos com mais cuidado, vemos que as respostas em termos de confissões eram sempre as mesmas, frases e palavras repetidas ao longo de três séculos.
A divulgação indiscriminada dos mitos relacionados com a história marrana é perigosa, pois o desconhecimento da realidade pode prestar a uma história distorcida sobre os Anussim.
Pesquisas sobre a história sefardita baseada inteiramente em manuscritos até então desconhecido que foram feitas na Universidade de São Paulo, e está abrindo novas perspectivas para a história marrana que nos permitirá compreender melhor o fenômeno do marranismo. 
Em relação aos nomes adotados pelos judeus durante as conversões de 1497, temos raras referências diretas.
Crônicas de cristãos e judeus deixaram relatos preciosos sobre o que aconteceu durante aqueles tempos difíceis, mas existe um "silêncio" sobre os nomes patronímicos judaicos. 
O rei Dom Manuel autorizou que determinados nomes utilizados exclusivamente por famílias nobres poderiam ser dados aos judeus convertidos. Ao adotar esses nomes como Fernando de Noronha, Meneses,  Albuquerque, Cunha Almeida, Pacheco, Vasconcelos, Melo, Silveira, Lima ...abriu novas linhas genealógicas aos cristãos-novos e durante séculos eles mantiveram sua ligação com as raízes judaicas, espalhadas pelo império português.
Os marranos freqüentemente expressavam em segredo os seus nomes judaicos e transmitiam aos seus descendentes. Os vários nomes revelam também a dupla identidade de pessoas que viviam em um mundo de terror. Esses nomes, por vezes, mantiveram um significado e histórias que foram transmitidas oralmente de uma geração para outra.  
A simbologia dos nomes Marrano repetia exatamente o símbolo da tradição portuguesa e eles representam o mundo animal, como Leon (Leão), Carneiro (ovelha), Lobo (lobo), Raposo (raposa), Coelho (coelho), o mundo vegetal como Pinheiro (pinheiro), Carvalho, (carvalho), Pereira (pereira), Oliveira (oliveira),  e, por vezes características físicas como Moreno (pele escura), Negro (preto),  Branco (cor branca); características geográficas como Serra (Serra), Monte  (Montagem), Rios (rios), Vales (vales) e também as ferramentas e artesanato.
O mais comuns entre os nomes marranos foram aqueles concebidos relativos as aldeias e cidades, como Miranda, Chaves, Bragança, Oliveira, Santarém, Castelo Branco. O Português também tinha o hábito de feminilizar os nomes dos homens, mas no Brasil isto aparece muito raramente.
Na Inquisição, como sabemos, os judeus foram perseguidos em uma base familiar, e esta foi uma das razões pelas quais os marranos adotaram simultaneamente dois ou três nomes, para que o trabalho dos agentes inquisitoriais se tornasse mais difícil.
Nos livros grandes, onde os inquisidores registravam os nomes de todos os prisioneiros suspeitos de judaísmo, podemos encontrar muitas repetições relacionada com os nomes, o que deixavam os inquisidores confusos e não conseguiam identificar os suspeitos.
Era comum encontramos membros da mesma família como Pai, mãe, avós, irmãos, usando nomes diferentes. um do outro.  Também era comum entre os marranos para saltar um ou mais gerações, e voltar novamente para o antigo nome avô,  Embora este costume também existisse entre os Portugueses.
Era ensinado as crianças Marrano, de 12 ou 13 anos de idade sobre os perigos que teriam que enfrentar, por serem descendentes de Judeus e eles também eram informados sobre os diferentes nomes usados ​​pela família.
Na Bahia, no século XVII, encontramos um caso interessante. No Colégio das Companhia de Jesus, o professor perguntou a um menino que era o seu nome e o menino respondeu: "Qual deles, o interior ou o exterior"?
Durante a Idade Média, quando os judeus viveram em Portugal e a sociedade era relativamente livre, eles usavam principalmente nomes retirados do Velho Testamento, mas os sobrenomes portugueses, como Abraão Franco, Isaque Querido, Moises Pinto ou Moises Lobo.
Logo após a conversão forçada, quando o hebraico e os nomes e da língua hebraica foram proibidos, ainda encontrávamos os hebreus transmitindo seus nomes secretamente entre algumas famílias. Mas depois de um ou dois séculos, principalmente quando eles já estavam no Novo Mundo, a memória foi perdida, o que certamente  foi para os judeus uma experiência traumática, serem forçados a abandonar os seus nomes de família tradicional.
Entendemos naturalmente que essa "mudança" na vida judaica não ocorreu de um momento para outro, e temos que estudá-los, considerando cada situação específica.  Entre as numerosas lendas construídas durante séculos em relação aos nomes Marrano, ouvimos freqüentemente que os judeus adotaram os nomes de seus padrinhos, de regiões, aldeias, plantas, árvores, frutas, acidentes geográficos.  Pode ser que essas lendas possuem alguma base, mas nesta fase de estudos, é ainda difícil separar fantasia e realidade. Para o drama da conversão e a destruição do judaísmo ibérico, é importante somar os resultados de novas investigações. Também é importante pesquisar os arquivos as paroquiais em cada aldeia portuguesa onde os judeus viveram durante o período de conversão.  A principal fonte para este estudo é o Arquivo do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, ofício da Inquisição em Portugal. A Inquisição ordenou o registro dos nomes de cada novo cristão português suspeito de heresia judaica em um livro chamado de culpados. Este livro é a fonte mais importante que temos a fim de saber os nomes Marranos, principalmente daqueles que permaneceram em Portugal e se espalhou pelo Império Português.
O que leva a grande confusão é o fato de que os nomes dos marranos são exatamente os mesmos dos usados ​​por cristãos-velhos. Como podemos diferenciá-los? Uma vez que não se sabe, até hoje, de qualquer documento específico Português, que nos explique os critérios utilizados na aprovação dos nomes, o único caminho possível é o de investigar sua freqüência nos registros inquisitoriais.
Sabemos que uma grande quantidade de manuscritos pertencentes ao Santo Ofício foram perdidos nos últimos séculos, durante  o transporte, da Biblioteca Nacional, onde foram previamente mantidos,  ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo, e também através de inundação ou deterioração, devido às condições primitivas do Arquivo Nacional.  Hoje, existem cerca de 40.000 documentos de acordo com alguns estudiosos. Quase 80% desses julgamentos se referem do crime ao Judaísmo. mas só vamos poder falar em termos de estatísticas depois que todos as pesquisas e documentos forem examinados. Este trabalho vai demorar ainda alguns anos de investigação.  Sobre o Brasil, temos provas mais precisas. O Brasil recebeu a maior número de emigrantes cristãos-novos de Portugal do que qualquer outra região do mundo. Os arquivos portugueses registram uma quantidade fantástica de documentos que testemunham a emigração.
Eu usei, para este artigo, como fonte primária O Livro dos os culpados, onde encontrei registrados 1.819 nomes de marranos presos ou suspeitos de judaísmo que viveram no Brasil no século XVIII. (1.098 homens e 721 mulheres). 1.076 brasileiros foram presos durante o período colonial e o maior percentual deles foram acusados de crime de judaísmo, foram presos e receberam a pena capital. 
Os inquisidores sabiam exatamente através de denúncias e através de seus agentes (espiões do Santo Ofício), quais eram os "suspeitos".
Os que deixavam o reino e saíam sem permissão especial da Inquisição, tinham todos os seus bens confiscados em Portugal.
Quando eu encontrei pela primeira vez, em 1965, o Livro dos culpados no Arquivo Nacional de Portugal, eu imediatamente notifiquei ao Dr. Daniel Cohen, que era então o diretor do Arquivo Central para a História dos judeus (em Jerusalém) e depois dele com o Dr. Aryeh Segal. Eles imediatamente providenciaram a microfilmagem. Infelizmente, não há documentos suficientes, o que representa uma grande dificuldade para o historiador.
Nesse artigo não vou referir os descendentes dos "Anussim", que retornou ao judaísmo na Europa, ou na África do Norte. Sua história foi freqüentemente escrita, seus nomes são conhecidos e que já pertencem ao judeu da história. O objetivo da minha contribuição tende para o conhecimento do descendente "Anussim", esquecida pelos historiadores, Os Marranos brasileiros que, durante 285 anos sofreram discriminação e perseguição da Igreja Católica.  Neste artigo vou transcrever os nomes dos brasileiros que perseguidos pela Inquisição 1700-1761 (principalmente entre 1710 e 1736) e indicar a freqüência com que esses nomes apareceram nos registros.  NUNES aparece 120 vezes mencionado no livro dos culpados. É também o nome dado ao município e distrito de Vinhais, Diocese de Bragança, mas também pode ter uma origem espanhola.  RODRIGUES aparece entre os brasileiros 137 vezes. Teve origem em Rodrigo, mas também pode ter uma origem espanhola. Ele apareceu em Portugal por volta dos séculos 14 e 15, mas havia muitos Rodrigues também entre os judeus que, no final do 16 e do início da 17 século, emigraram da Espanha para Portugal. Embora não deve haver qualquer laços de sangue entre eles. Sabemos que o curioso caso da Abin Rodrigues, em Espanha, que continuam a ser populares na história, como ele era ao mesmo tempo, um judeu, um cristão e um muçulmano.  HENRIQUES é mencionado 68 vezes. A origem do nome é bem diversificada,  mas desde 1454 que existia em Portugal uma medalha de ouro de 22 quilates, chamado Henriques. o nome se tornou muito comum entre os homens nobres, bem como entre os marranos.  MENDES é mencionado 66 vezes. Ele tem diversas origens e também vem a partir do nome patronímico Mendo. É muito comum entre os cristãos-novos.  CORREA é mencionado 51 vezes. Ele pertencia a uma antiga linhagem Portuguesa que misturado com uma família muçulmana de Ormuz. LOPES é mencionado 51 vezes. É um nome patronímico que foi adotado por  várias famílias diferentes. Nós encontramos o Lopes, em Ciudad Rodrigo, uma cidade de fronteira através da qual os judeus, expulsos da Espanha entraram em Portugal.  A Lopes também aparecem durante o reinado de Afonso V. O nome patronímico LOPES não tem cruz em seu brasão de armas, mas duas estrelas, cada um dos seis pontos.  COSTA é mencionado 49 vezes. É uma pequena freguesia que pertence ao Conselho da Comarca de Guimarães. É um nome muito antigo Português, conhecida desde o tempo do primeiro rei de Portugal D. Afonso Henriques, que se tornou depois é muito comum entre os cristãos velhos e novos.  Cardoso é mencionada 48 vezes. Ela já existia desde 1170. Foi o nome de um lugar na freguesia de S. Martinho de Mouros. É muito comum entre os cristãos-novos no passado assim como entre os judeus sefaraditas em nossos dias.  SILVA é mencionado 47 vezes. Era uma antiga paróquia do distrito de Barcelos, e que pertencia a uma das famílias mais prestigiadas da Península Ibérica Península. Segundo a lenda, foi originada a partir do King of Leon.  FONSECA é mencionado 33 vezes no livro dos culpados. Pode tem origem espanhola, mas aparece entre as mais antigas famílias portuguesas.  PAREDES é mencionado 32 vezes. É uma pequena vila não muito longe da cidade do Porto. Situado no brach direita do rio Douro. Há também uma velha  fortaleza com este nome.  ALVARES é mencionado 30 vezes. É uma freguesia portuguesa do Conselho, de Goiás,  distrito de Arganoil que pertence à diocese de Coimbra.  MIRANDA é mencionado 28 vezes. É um nome muito comum em Portugal e no Brasil. Os judeus podem ter adotado a partir da famosa aldeia judaica Miranda. No entanto, a origem do nome remonta ao dos tempos de o rei D. João II, quando um sacerdote, enviado à França, voltou com uma senhora chamada D. Mécia Gonçalves de Miranda, que ordenou que seus filhos e descendentes deve ser nomeado Miranda.  FERNANDES é mencionado 28 vezes no Livro de culpas. É um dos os nomes mais freqüentes patronímicos e também o mais popular entre os marranos no Brasil. Ela significa "filho de Fernando" (em espanhol Fernandez e Fernandes em Português). A origem remonta aos tempos dos Visigodos e ele aparece entre os judeus desde o século XV, mas muitas famílias que adotaram este nome não têm relações de parentesco.  AZEREDO é mencionado 25 vezes. É o lugar onde cereja louro cresce. Segundo alguns genealogistas, a toponyme Azeredo é um lugar que pertencia à freguesia de Leça do Balio (norte de Portugal), conselho de Matosinhos na Província do Minho.  VALLE é mencionado 24 vezes. Isso significa uma planície entre duas montanhas ou no sopé de uma montanha. Nome ligado a uma antiga linhagem portuguesa, mas os judeus começaram a usada no século XV. Pode ter relação com o fato de que os judeus que emigraram da Espanha entraram em Portugal através daas fronteiras ao norte de Ciudad Rodrigo e foram forçados a viver em tendas construídas no vale. Os judeus permaneceram no vale durante três anos. Na popular tradição, este lugar é conhecido como o "Vale das Tendas".  BARROS é mencionado 22 vezes. Até o século XV, foi escrito em diferentes maneiras, também BARRIOS. Ele aparece entre os sefaraditas, na Holanda.  DIAS é mencionado 22 vezes, este vem do nome patronímico de Diogo e Diego, e muitas famílias sem correlação de sangue utilizaram esse nome.  XIMENES é mencionado 18 vezes. De acordo com alguns autores que tem uma Origem italiana e começou com uma Ximenes André de Florença, que foi para Portugal. Mas o nome já existia em Navarra. Na Enciclopédia Judaica ele é mencionado como um nome hebraico.  FURTADO aparece 5 vezes. Segundo alguns autores, há uma curiosa lenda sobre o nome de Furtado, (que significa "roubada"), que remonta a os tempos de D. João II, quando o rei ordenou que todas as crianças judias,  entre 2 e 10 anos devem ser tomadas longe dos pais e enviado para a ilha de São Tomé, onde muitos deles morreram.
 Também encontramos os judeus entre os primeiros colonizadores da ilha e dos Açores seus nomes judeus aparecem também no Brasil. Como exemplo: a família BRUM COLAÇA ou CALAÇA. O primeiro Brum (Wilhelm van der Bruyn) nasceu em Maestrich e depois do seu casamento, mudou-se para a ilha da Madeira. Há Bruns também na ilha de Tercena e Faial. A Bruns misturado com o Português famílias que já viviam nos Açores e deu origem a Brums da Silveira e Brums da Cunha. Uma família muito importante Brum viveu no  Brasil no século XVIII e alguns membros desta família foram presos pela Inquisição.  No Brasil, os judeus só podiam praticar livremente sua religião durante o período em que os holandeses ocuparam o Nordeste do Estado.(1630-1654).  Em Pernambuco haviam duas congregações que registraram os nomes dos seus membros judeus. Entre eles, estavam aqueles que chegaram ao Brasil em conjunto com os holandeses, já nascidos, como os judeus ou reconvertidos ao judaísmo em Amsterdam, e levaram nomes judaicos. Havia também esses nomes que pertencia à mais antiga da população cristã-nova que, após a chegada dos holandeses, tentou converter ao judaísmo. Eles muitas vezes mudaram  seu primeiro nome e adotaram nomes hebraicos, mas freqüentemente se encontrava com os seus apelidos portugueses. Duarte Saraiva tornou-se David Senior Coronel (ele adotou o nome de um de seus antepassados), Dr. Fernando Patto tornou-se Abraão Israel Diaz, Luis Dormido tornou Daniel Dormido; Simão Franco Drago adotou o nome de Isaac Franco Drago, Francisco de Faria foi chamado Jacob de Faria, João de La Faye ficou Aron de la Faye; Gaspar Rodriguez tornou-se Abraão Rodrigues   
Em minhas pesquisas eu não encontrei nenhuma prova documental de nomes de árvores, frutos, plantas e acidentes geográficos pertencem unicamente para Marranos. Os nomes mais comuns de marranos que encontrei no Brasil estão ligados às cidades, vilas, províncias, seus lugares de origem familiar. Muitos "Conversos", que fugiram da Espanha e encontraram refugio em Portugal e outros países da Europa ou da América adotaram nomes que lembravam seu local de parto em Castela.
É interessante também para acompanhar a mudança dos nomes de marranos, após seu retorno ao judaísmo, na Holanda, Inglaterra, Itália, França, Turquia e Marrocos.  Na Inglaterra, encontramos o Senhor Monfort, um membro da família Monfort que fogem da Bahia, quando a Inquisição prendeu o chefe da família, o médico Manoel Mendes Monforte. A família Brandão deu origem ao Senhor Brandon. A Luna, Gomes, Azevedo, Rodrigues, Dias tornou-se a uma fundação "Congregação de Londres" em 1669. Também muitos marranos se estabeleceram na Turquia, onde encontramos nomes que lembram a terra de suas origens: Leon, Callvo, Zamarro, Toledano.
Judeus Marroquinos emigraram para o Amazonas no início do XIX século. Sua origem foi da Espanha, Norte da África, e até de estados do Brasil,  muitos carregavam nomes hebraicos, mas com sobrenomes de origem Portuguesa:  Samuel e Isaac Aguiar, Marques Levy, Abraão ou Salomon Salvador Pinto.  Eles freqüentemente preservavam nomes portuguêses como: Armando Soares,  Miguel Soares, José de Souza Baliero, Elis José Salgado.  Também nas Ilhas Baleares, espanhóis e Português usaram sobrenomes oriundos de suas cidades, assim como nomes de cores e árvores. De acordo com as tradições, essas famílias têm raízes judaicas. 
Depois de ter navegado em um mar de incertezas, o que podemos saber sobre os nomes marrano? Com base nas fontes inquisitoriais, podemos dizer que no Brasil a maioria dos nomes Marrano refletem as cidades ou aldeias de onde vieram.
A maioria dos nomes de marranos foram retirados da aristocracia portuguesa. 
Praticamente todos os nomes Marranos pertenciam a famílias portuguesas que possuíam o brasão de armas.
Os marranos brasileiros levaram simultaneamente dois ou três nomes.
Os membros de uma mesma família freqüentemente usavam nomes totalmente diferentes.
Depois de duas ou três gerações, muitas vezes, encontra-se cristãos-novos que adotaram novamente os nomes dos avós.
Texto Publicado in Revue des Études Juives
Tome 165
Juillet 2006-décembre
Fascículo 3-4
p.445-456.


SOBRE A FAMÍLIA OLIVEIRA E SUAS ORIGENS JUDAICAS


Sim, a família Oliveira é de origem judaica. Abaixo transcrevo um texto que você pode encontrar aqui mesmo no grupo. Neste texto temos alguns detalhes sobre a origem desta família. 
“Benveniste”, que adquiriu durante o domínio muçulmano, mas antes dos islamitas conquistarem a península Ibérica ela era chamada de “ha-Levi” ou de “ha-Itshari”, por ter sido esse o nome do fundador da mesma. 
Os demais Benveniste que se estabeleceram em Portugal, com a introdução da Inquisição adotaram forma traduzida de seu sobrenome de família par disfarçar sua origem judaica, e esse nome traduzido significa “bem vindo” e se tornou o sobrenome de família “Benvindo”, que ao chegar ao Brasil colonial e ao se estabelecer no Nordeste, se tornou muito numerosa no interior de Pernambuco e Bahia.

E como segundo a historiadora da USP Anita Novinsky – autoridade mundial em Inquisição Portuguesa - 1 em cada 3 portugueses que chegaram no Brasil nas primeiras décadas do após o Descobrimento era cristão novo, os Oliveira e seus primos os Levi ,Levy , Benveniste e Antunes chegaram em grande quantidade se concentrando principalmente na Região Nordeste.
As próprias crônicas da época atestam a presença de famílias Levi, Levy e Oliveira em grande quantidade no Brasil colônia.
O fundador da família Oliveira foi o rabino Rabi Abraham Benveniste que nasceu em 1433, na cidade de Soria, na província de Cáceres, no Reino da Espanha. Ele era descendente direto do Rabi Zerahiá ben-Its’haq ha-Levi e Gerona, que viveu no século 12 e era chamado ha-Its'hari, ou de Itshari, pelo fato de sua genealogia ir ate aos filhos de Its'har, que era tio do profeta Moshe Rabenu.
Esse rabino juntamente com toda sua família fugiu da Espanha antes da publicação do decreto de expulsão dos judeus em 1492. Mas antes disso, como na Espanha, eles viviam na província ou localidade de "Oliva-Cávia' ', já naquela época eles eram chamados Olivares ou Olivarez que significaria inicialmente os que são naturais de Oliva.
Porém cabe ressaltar que essa família levita se estabeleceu nessa localidade intencionalmente, por dois motivos, primeiro por ser interiorana e longe dos grandes centros da Espanha, onde começaram as primeiras matanças de judeus ou pogrons, promovidos por padres católicos fanáticos das ordens dos dominicanos e carmelitas, que incitavam a população cristã velha ignorante a matar os judeus cristãos-novos e os judeus ainda não conversos.
E em segundo, por causa do nome da localidade, que caso começassem o batismo forçados de novo, favorecia com que eles se tornassem cripto judeus ou judeus secretos em um sobrenome que lembrasse e facilitasse mais tarde o resgate de suas raízes judaicas e a identificação de suas origens. Muitos sobrenomes de judeus sefaraditas anussim surgiram assim durante época da Inquisição. E como ocorreu no caso dos “de Oliveira” que era então conhecido como Olivares?
Ocorreu de duas formas, primeiro eles aproveitaram o fato de que na palavra oliveira, está implícito o fonema das letras latinas, cujos sons representavam o som ou fonema do nome de sua família em hebraico Levy no caso L-V-Y. E isso lhes passou a mente pelo fato de que nas línguas semíticas como o hebraico, o aramaico, o árabe e o amarico da Etiópia, não se usarem vogais na forma escrita dessas línguas e sim somente as consoantes.
Foi devido a esses mecanismos lingüísticos adotados pelos sefaraditas e Anussim, que muitas famílias judaicas conseguiram escapar dos ataques da Inquisição até pelo menos conseguir fugir da Península Ibérica.
Foi dessa forma, por exemplo, que dentre tantos outros milhares de sobrenomes na língua hebraica que os judeus com sobrenome Cohen, que significa sacerdote conseguiram camuflá-lo como Cunha, os Natan e Ben Natan, também de origem levítica se disfarçaram com o sobrenome Antunes/Antunez, os Ben Moreh que significam filhos do professor, viraram os Moraes e Moreira, os Ben Menashe ou filhos de Manasses ou descendentes da tribo e Manasses viraram os Menezes, os Ben Meir, ou filhos dos iluminados ou dos sábios se disfarçaram com os sobrenomes, Meira/Meireles.
Que os Fares da tribo de Judá, viraram os Farias, que os Ben Soher, que significa filho ou descendente de comerciante ou de guardas, virou Soeiro e Soares/Suarez, que os Ben Nun descendentes de membros da tribo de Efraim se transformou nos Nunes e Nunez, e foi assim também que os Ben Shimon descendentes da tribo de Simeão, com seu numeroso ramo na península Ibérica que incluem até o Ximenes/Ximenez da Galícia, se tornaram os Simões de Portugal.
E que os Guimarim ou estudantes e interpretes da Guemara, tratado religioso judaico, que era  descendente da tribo de Levi, se transformaram na família Guimarães , e foi dessa forma ainda que a antiga família Quirós que é também uma família descendente da tribo de Levy, adotou os sobrenomes Queirós,Queiroz e Queiroga .
E existem muitos outros casos que abordarei no futuro de forma mais resumida.
A segunda razão pela qual os Benveniste ou Ha-Levy adotaram o sobrenomes Olivares/Oliveira, era porque eles também perceberam que como o óleo da santa unção usado par ungir os antigo levitas e sacerdotes judeus, tinha como seu principal componente o azeite ou óleo da planta oliveira, que era abundante na região de Olivacavia.
Isso reforçaria mais ainda a origem judaica sacerdotal , mas disfarçada de seu sobrenome diante dos demais judeus que estavam partindo para a diáspora sefardita , com o decreto de expulsão de 1492.
Já o emprego do sufixo final ES/EZ presente no sobrenome inicial Olivares, era devido ao habito dos judeus sefaraditas e Anussim, empregarem-na como uma sigla adotada pelos judeus  cristãos-novos no final de seu sobrenome com duas finalidades, a primeira identificar de quem a pessoa judia descendia, em substituição da palavra hebraica ben e do aramaico bar, que significam filho de.
Essa sigla EZ/ES significa a expressão hebraica Eretz Yisrael e servia para apontar de que lugara a pessoa judia era para que os judeus pudessem identificar-se entre si sem serem notados pelos braços da Inquisição e dessa forma se ajudassem mutuamente como criptojudeus, ou judeus secretos.
E como já expliquei anteriormente em outro texto, ele servia para que todos eles que tinham ES ou EZ no sobrenome, sendo filhos de... ou descendentes do povo de Eretz Yisrael, a Terra de Israel, e foi por isso também que os judeus ficaram em parte conhecidos na época da Inquisição como “a gente da nação”. Ou seja, da nação judaica.
E essa Sigla ou fonema ES/EZ que representa a frase Eretz Israel = Terra de Israel, para designar que a pessoa pertence a uma família de origem judaica ou do povo de Israel, convertida a força ao catolicismo durante a época da inquisição, é encontrado com a mesma finalidade tanto nos sobrenomes Perez/Peres/ Pires, como também para designar, por exemplo, a origem judaica dos sobrenomes de família de origem hispânico-portuguesa: Aires/Ayres, Anes/Annes (forma reduzida de Yohanes/Yochnam/ João), Rodrigues, Rodriguez, Hernandez/Fernandes, Henriques/ Henriquez, Mendes/ Mendez, Alves/Alvez, Alvares/Alvarez, Gonçalves/Gonzalez, Martines (de Martins) / Martinez, Galvez/ Galves, Gutierres/Gutierrez, Garcez/ Garcês (que originou o sobrenome Garcia), Ximenes/Ximenez, Soares/Suarez, Simoes/Simeones, Nunes/Nunez, Lopes/Lopez Gomes/Gomez, Marques/Marquez, Paes/Paez (variantes do sobrenome Paz), Meireles, Menezes, Abrantes, Neves, Olivares (que  originou Oliveira), Fontes, Bentes, Tavares, Teles, Torres, Guedes, e assim por diante, são todos estes sobrenomes de famílias cristas-novas.
Com a lei que obrigava o batismo forçado em massa de judeus em Portugal, a família, Olivares/Benveniste /Levy, dividiu-se ao conseguir escapar da Espanha, em três grupos, com nomes distintos, os "Oliva-Cávia”, que depois viraram os "Oliver-Cavia”, os "Del Medico”, porque essa profissão era comum entre eles, e também muito difundida entre os demais judeus, especialmente na idade média na Península Ibérica.
Posteriormente na Itália se tornaram os "dal Medigo" e os Olivete, e os Olivares que ao adentrar em Portugal, trocou o sufixo ES pelo “EIRA”, tornando-se “de Oliveira”.
Após fugir da Espanha o Rabi Zerahiá ha-Levi de Gerona, e estabeleceu no sul da sul da França, de onde seus descendentes, os que se transferiram para a região central espanhola seguiram para Portugal dando origem aos Oliveira de onde por sua vez surgiram os seguintes ramos todos aparentados, além dos que mantiveram o sobrenome Benveniste: 'Oliveira, Oliveyra, Olivares, Olivera, Oliver, Oliveros, Olivetti, Olivette.
Um segundo ramo que se dirigiu da França para a Itália e Europa Oriental originaram os já citados "Del Medico" e "Del Medigo", e ao misturar-se com os judeus asquenazitas deram origem as famílias levíticas Horovitz, Segal, e Epstein.

Fontes:
"Marranos and the Inquisition on the Gold Route in Minas Gerais, Brazil" in The Jews and the Expansion of Europa to the West, 1450-1800" New York/Oxford: Bergham Books, Oxford, 2001, pp. 215-241.
Novinsky, Anita, Prisioneiros Brasileiros na Inquisição, Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 2001.
SALVADOR, J. Gonçalves. Os cristãos-Novos em Minas Gerais durante o Ciclo do Ouro. São Paulo, Pioneira, 1992.
NOVINSKI Anita. Inquisição, Inventários de Bens Confiscados a Cristãos-Novos no Brasil – século XVIII. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1978, pp.223-224.
Inquisição de Lisboa nº 6.515, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, manuscrito. Veja BROMBERG, Raquel Mizrahi. A Inquisição no Brasil: Um capitão–mór judaisante. São Paulo: Ed. Centro Estudos Judaicos, USP ,1984.
Sobre Manoel Nunes Viana, veja "o Processo de Miguel de Mendonça Valladolid, Inquisição de Lisboa 9.973". Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, manuscrito e Manuscritos não catalogados "caixa 676, século XVIII, anos 1703 –1710, 29 janeiro 1710 e caixa 83, ano 1719. Lisboa, Arquivo Histórico e Ultramarino, manuscritos.

NOMES LIGADOS AO MARRANISMO MAIS FREQUENTES NOS DOCUMENTOS DA INQUISIÇÃO

A
Abreu Abrunhosa Affonseca Affonso Aguiar Ayres Alam Alberto Albuquerque Alfaro Almeida Alonso Alvade Alvarado Alvarenga Álvares/Alvarez Alvelos Alveres Alves Alvim Alvorada Alvres Amado Amaral Andrada Andrade Anta Antonio Antunes Araujo Arrabaca Arroyo Arroja Aspalhão Assumção Athayde Ávila Avis Azeda Azeitado Azeredo Azevedo
B
Bacelar Balão Balboa Balieyro Baltiero Bandes Baptista Barata Barbalha Barboza /Barbosa Bareda Barrajas Barreira Baretta Baretto Barros Bastos Bautista Beirão Belinque Belmonte Bello Bentes Bernal Bernardes Bezzera Bicudo Bispo Bivar Boccoro Boned Bonsucesso Borges Borralho Botelho Bragança Brandão Bravo Brites Brito Brum Bueno Bulhão
C
abaco Cabral Cabreira Cáceres Caetano Calassa Caldas Caldeira Caldeyrão Callado Camacho Câmara Camejo Caminha Campo Campos Candeas Capote Cárceres Cardozo/Cardoso Carlos Carneiro Carranca Carnide Carreira Carrilho Carrollo Carvalho Casado Casqueiro Cásseres Castenheda Castanho Castelo Castelo Branco Castelhano Castilho Castro Cazado Cazales Ceya Céspedes Chacla Chacon Chaves Chito Cid Cobilhos Coche Coelho Collaço Contreiras Cordeiro Corgenaga Coronel Correa Cortez Corujo Costa Coutinho Couto Covilhã Crasto Cruz Cunha
D
Damas Daniel Datto Delgado Devet Diamante Dias Diniz Dionisio Dique Doria Dorta Dourado Drago Duarte Duraes
E
Eliate Escobar Espadilha Espinhosa Espinoza Esteves Évora
F                                                                                                      
Faísca Falcão Faria Farinha Faro Farto Fatexa Febos Feijão Feijó Fernandes Ferrão Ferraz Ferreira Ferro Fialho Fidalgo Figueira Figueiredo Figueiro Figueiroa Flores Fogaça Fonseca Fontes Forro Fraga Fragozo Franca Francês Francisco Franco Freire Freitas Froes/Frois Furtado
G
Gabriel Gago Galante Galego Galeno Gallo Galvão Gama Gamboa Gancoso Ganso Garcia Gasto Gavilão Gil Godinho Godins Goes Gomes Gonçalves Gouvea Gracia Gradis Gramacho Guadalupe Guedes Gueybara Gueiros Guerra Guerreiro Gusmão Guterres
H-I-J
Henriques Homem Idanha Iscol Isidro Jordão Jorge Jubim Julião
L
Lafaia Lago Laguna Lamy Lara Lassa Leal Leão Ledesma Leitão Leite Lemos Lima Liz Lobo Lopes Loucão Loureiro Lourenço Louzada Lucena Luiz Luna Luzarte
M
Macedo Machado Machuca Madeira Madureira Magalhães Maia Maioral Maj Maldonado Malheiro Manem Manganes Manhanas Manoel Manzona Marçal Marques Martins Mascarenhas Mattos Matoso Medalha Medeiros Medina Melão Mello Mendanha Mendes Mendonça Menezes Mesquita Mezas Milão Miles Miranda Moeda Mogadouro Mogo Molina Monforte Monguinho Moniz Monsanto Montearroyo Monteiro Montes Montezinhos Moraes Morales Morão Morato Moreas Moreira Moreno Motta Moura Mouzinho Munhoz
N                                                                           
Nabo Nagera Navarro Negrão Neves Nicolao Nobre Nogueira Noronha Novaes Nunes
O
Oliva Olivares Oliveira Oróbio
P
Pacham/Pachão/Paixão Pacheco Paes Paiva Palancho Palhano Pantoja Pardo Paredes Parra Páscoa Passos Paz Pedrozo Pegado Peinado Penalvo Penha Penso Penteado Peralta Perdigão Pereira Peres Pessoa Pestana Picanço Pilar Pimentel Pina Pineda Pinhão Pinheiro Pinto Pires Pisco Pissarro Piteyra Pizarro Pombeiro Ponte Porto Pouzado Prado Preto Proença
Q
Quadros Quaresma Queiroz Quental
R                                                                                
Rabelo Rabocha Raphael Ramalho Ramires Ramos Rangel Raposo Rasquete Rebello Rego Reis Rezende Ribeiro Rios Robles Rocha Rodriguez Roldão Romão Romeiro Rosário Rosa Rosas Rozado Ruivo Ruiz
S
Sa Salvador Samora Sampaio Samuda Sanches Sandoval Santarém Santiago Santos Saraiva Sarilho Saro Sarzedas Seixas Sena Semedo Sequeira Seralvo Serpa Serqueira Serra Serrano Serrão Serveira Silva Silveira Simão Simões Soares Siqueira Sodenha Sodré Soeyro Sueyro Soeiro Sola Solis Sondo Soutto Souza
T/U                                                                    
Tagarro Tareu Tavares Taveira Teixeira Telles Thomas Toloza Torres Torrones Tota Tourinho Tovar Trigillos Trigueiros Trindade Uchôa
V/X/Z
Valladolid Vale Valle Valença Valente Vareda Vargas Vasconcellos Vasques Vaz Veiga Veyga Velasco Velez Vellez Velho Veloso Vergueiro Viana Vicente Viegas Vieyra Viera Vigo Vilhalva Vilhegas Vilhena Villa Villalão Villa-Lobos Villanova Villar Villa Real Villella Vilela Vizeu Xavier Ximinez Zuriaga

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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MOTT, Luiz. Bahia: Inquisição e Sociedade. Salvador: EDUFBA, 2010.
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LAMECH144. Judeus Anussins: nossa origem comum [mensagem geral: triangulodourado – yahoogrupos]. Mensagem recebida de <junior_jdk@hotmail.com> em 23 dez. 2007.
WIKIPÉDIA. Sefardita. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Sefardita>. Acesso realizado em: 18 abr. 2009.
Contribuições:  José Ribeiro da Silva Júnior. Flávio Rogério Ribeiro de Sá Cohen, João Vitor Pascoal

8 comentários:

  1. Por que devemos,os b'nei anussim,insistir em fazer parte do povo de Israel,quando está,claro que não nos querem,que não somos aceitos como descendentes dos anus?Somos vistos com desconfiaça pelos ortodoxos,nos culpam pela violência sofrida por nossos antepassados,como se eles tivessem "aceitado" o Catolicismo por livre e espontânea vontade e não por um bem maior,salvar suas vidas e de seus entes queridos; a mesma violência e preconceito cometidos contra nossos ancestrais continuam sendo feitas a nós pelo rabinato ortodoxo judaico ou Israel sob a forma de conversão; essa imposição ou violência nos é exigida se quisermos retornar às origens de nossos ancetrais. Por que devemos querer fazer paerte de um povo que nos quer ou aceita? Pra eles somos e seremos judeus de 2ª ou 3ª classe;quando se trata de fazer o retorno às nossas raízes há um monte de obstáculos ou entraves,só faltam nos pedir cópia autenticada com firma reconhecida da certidão de nascimento de Moshe Rabeinu ,agora se for para fazer a conversão aí é mais fácil,isso mostra a falta de vontade e/ou interesse e má fé por parte do rabinato ashkenazita,e ainda vamos medingar que nos aceitem? Até quando aceitaremos ser humilhados dessa forma?

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    1. muitos já notaram neste site,B'nei Anussim Brsail e em outros como Portal B'nei Anussim,Judaísmo Ibérico e Shavei Israel além de outros,que todos dizem querer ajudar-nos a restaurar nossas origens judaicas,mas o que fazem é apenas contar a história da perseguição aos judeus na peninsula Ibérica e depois no Brasil,que pode ser lida em qualquer bom livro de História,além de mencionar as halachas preconceituosas dos ashkenazim; será que querem mesmo nos ajudar a restaurar nossas origens judaicas? Uma coisa simples que é responder a um e-mail não fazem,alguns sites sequer conseguimos acessar o link "contato ou fale conosco",a verdade é que estamos por conta própria,não podemos contar com a ajuda de ninguém,só de D'us. O Judaísmo ortodoxo deixa claro que é elitista e segregacionista,não somos aceitos como judeus,a menos é claro que façamos conversão para sermos tratados como judeus de 2ª ou 3ª classe,pois segundo eles não nescemos de um ventre judeu ou não temos a "vivência" do Judaísmo,agem como se fôssemos culpados pela perseguição,violência e humilhação sofridas por nossos antepassados,não respeitam ou valorizam o sacrifício feito por eles durante a Inquisição,nos tratam com a mesma intolerância que os católicos trataram nossos pais,em que são diferentes deles? Os católicos ao menos não eram judeus,pior é sermos tratados com essa indiferença por aqueles deveriam ser nosso povo e nos acolher. Os poucos que "voltaram" da Babilônia mais de 70 anos depois do Exílio tinham a vivência dos costumes judaicos ou estes se misturaram com os de tantos povos que lá viviam e ao voltar a Jerusalém fizeram conversão à religião de seus pais? E aqueles que passaram pela Diáspora mantiveram seus costumes intáctos ou houve misturas,fizeram conversão? Os que ficaram impedidos de praticar seus costumes/rituais a partir da Noite dos Cristais-1938- e por toda a II Guerra ou Holocausto mantiveram sua vivência judaica como? Parece que conversão é só para nós os b'nei anussim e se a aceitarmos estaremos traindo ou desrespeitando toda a luta e sofrimento dos nossos antepassados durante a Inquisição. Creio que nenhum b'nei anussim,como eu,é contra passar por todo processo de retorno: estudo da história e leis judaicas,aceitar os preceitos da Torah,a imersão e os homens realizar a circuncisão,contanto que ao final do mesmo receba um certificado de retorno aos caminhos de seus pais e não de conversão.

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    1. Todo Bnei Anussim trás em sua alma fagulhas das vidas passadas, o que o Arizal chama de Gilgul Neshamot.
      São de fato centelhas de almas que um dia viveram o judaísmo pleno e hoje estão (dentro de um processo de tikun) em corpos de gentios.
      Esse tipo de aflição leva muitos a buscar o "judaísmo" com aspas, porque a falta de conhecimento das halachot não nos permite aos Anussim sempre acertar o caminho. Por isso muitos passam por grupos criados com a intensão de satisfazer a alma, pois como todo Anussim sabe, é extremamente difícil alguma sinagoga abrir as portas, consequentemente o maior problema para o Anussim é o judaísmo messiânico.

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  3. Eu sou convertida e originaria de Portugal provavelmente que tenho ancestres judios mas o que me importou foi de aprender à ser uma Judia autentica para servir o meu creador da maneira mais adquada possivel. A conversāo nāo da judeus de 2 ordem eu hoje vivo em israel como judia ortodoxa e ninguem me trata de maneira inferior aos outros. Toda a vossa oposiçāo aos judios ortodoxos ou outros é unicamente dévido a uma informaçao defeciente. Os judeus podèrão atravessar a historia graça à pratica das tradições aplicadas minociosamente et o estudo da thora assiduo. A leis da thora são aplicadas a todos sem descriminação entre judios ou convertidos. Actualmente nenhum sabio judeu tem visão profetica para poder ver quem é judio e quem não é, e não devemos esquecer que a judaidada se transmete pela mãe et donc todos os testes de généalogia não servem a nada. Por fim quero dizer que se précisa muita humildade para voltar às suas raises e no fim toudo tem sentido e compreendemos tudo

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  5. Gostei das colocações.Realmente,há contribuições de todos os sentidos.Tudo foi muito proveitoso. Shalom !.iSRAEL SEMPRE.

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  6. Shalom a todos os Bnei Anussim, esse blog tem como objetivo esclarecer dúvidas em relação a questão dos Anussim.
    Até o ano de 2017 Eu (autor do blog) não tinha uma visão correta e linear quanto a questão da conversão (ou retorno) ao judaísmo. Porém através desse próprio blog, ocorreu uma interação com alguns rabinos em israel interessados pela causa Anussim.
    Estou juntando todos os "passo a passo" e farei uma postagem pontual sobre essa questão. Só para adiantar alguma coisa, diante de um Beit Din, os Bnei Anussim tem uma maios aceitação.

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