B'nei Anussim

B’nei Anussim em hebraico significa literalmente “filhos dos forçados” (filhos dos marranos), termo que designa os descendentes dos judeus que na época da Inquisição foram obrigados a se converter ao cristianismo sob pena de morte cruel.

É no Brasil que o termo B’nei anussim aparece pela primeira vez.
Na Península Ibérica, os judeus forçados à conversão ao catolicismo eram chamados de cristãos novos, anussim ou marranos (de uma forma pejorativa), que em espanhol significa porco. Citamos também o termo Cripto-judeu, que é a prática do judaísmo de forma secreta, sendo  que publicamente professavam outra fé, exteriorizando o catolicismo.
Os judeus viveram o seu apogeu na Península Ibérica nos séculos X e Xll e a medicina, a filosofia, a literatura entre os judeus ibéricos eram de grande expressão.
Os judeus estavam bem estabelecidos. Apesar da presença muçulmana na Espanha, a cultura judaica não era afetada, pois se expressava em toda a península de todas as formas, criando até um Centro de estudos cabalístico em Girona, de grande repercussão.
Mais tarde, sobe ao poder na Espanha dois reis católicos: Fernando e Isabel de Aragão, que com a bandeira do catolicismo, conseguiram unificar os reinos ibéricos. Dessa união, surge de forma consolidada a Espanha.
O reino culpava os judeus, diante da Santa sé romana, de todos os males que afligiam os reinos espanhois da Inquisição, com o famoso manual inquisitório “Directorium Inquisitorum”.  Para os judeus, dizia-se: “a morte ou água benta”. Centena de milhares de judeus foram batizados, porém guardando em suas casas os ritos judaicos, o que lhes rendeu maior perseguição, começando então os Pogroms: ataques violentos  em massa aos judeus, onde cerca de 50 mil foram mortos e cerca de 120 mil fugiram para Portugal.
Isabel de Aragão, princesa da Espanha, casa-se com D. Manuel I, rei de Portugal que logo promulga um decreto no qual as crianças judias até 14 anos são sequestradas e distribuídas em lares de famílias católicas e os adultos são batizados de forma compulsória. Começa então, em Portugal, o aparecimento dos B’nei Anussim (filhos forçados).
A imigração para a colonização do Brasil era difícil  por parte dos portugueses cristãos,  pois seus interesses eram voltados para o comércio nas Índias. Os navios chegavam  repletos de condenados, exilados e criminosos portugueses. Traziam também grande contingente de voluntários judeus, fato este que mostra a importância dos judeus na colonização do território brasileiro.
Os anseios de paz e liberdade em solo brasileiro e a contínua e avassaladora perseguição religiosa imposta pela Inquisição favorecem o estabelecimento de uma grande comunidade judaica no Brasil.
 Em Salvador-Bahia, sede do governo brasileiro, funcionava uma sinagoga nas propriedades de um B’nei anussim, chamado Heitor Antunes. Em Camaragibe (Capitania de Pernanbuco) existia outro centro judaico sob a direção do rabino Jorge Dias.
No período da invasão holandesa no nordeste do Brasil, Pernambuco tornou-se uma das comunidades judaicas mais florescentes do mundo, recebendo judeus refugiados de vários países, o que deu a Pernanbuco um perfil de uma cidade totalmente judaica, onde havia a sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira das Américas, com Isaac Aboab da Fonseca, como rabino e Moisés Rafael  de Aguiar, como o Hazan.
Havia também na Ilha de Itamaracá uma comunidade liderada pelo rabino Jacob Lagarto, que era um escritor talmúdico.
O DECLÍNIO DA COMUNIDADE JUDAICA NO BRASIL
O declínio da comunidade judaica começou no nordeste, onde era mais forte, com a saída de Maurício de Nassau, responsável pelo governo holandês em Pernambuco.
A retomada da região pelos portugueses trouxe junto para o Brasil a Inquisição, que perduraram 70 anos.
A aparente solidez da comunidade no nordeste deu lugar à melancolia e um grande êxodo.
Grande parte dos judeus foram para a América do Norte, e vencendo todo tipo de dificuldades, estabeleceram-se em Nova Amsterdã, atual Nova York.
Os dados do IBGE apontam que cerca de 50 a 70% dos brasileiros possuem alguma ascendência judaica.
O que restou da influência judaica no Brasil está comprovado em nossos hábitos, costumes, tradições e vocabulário, que foram passados de geração em geração por mais de 500 anos. No Nordeste, muitas das tradições judaicas permanecem vivas e são praticadas mesmo sem saber o motivo ou estando esse distorcido, como uma espécie de Lei da família. Independente da religião praticada a cultura é mais forte  do que a religião.
 Ex: O abate de aves jogando o sangue em um buraco feito na terra; lavagem dos mortos; mortalha de linho branco; pedras deixadas nos túmulos; não varrer o lixo da casa para fora pela porta da frente (devido as Mezuzots que nos tempos antigos estavam nos portais das casas). Costumes até cabalísticos como acendimento de velas em um prato com mel, acendimento de velas nas sextas-feiras à noite para os anjos da guarda (Shabat). Os próprios horários das rezas são fundamentados no judaísmo:
Shacharit - (em hebraico: שַחֲרִת) é a oração (Tefilá) diária da manhã.
Minchá -  hebraico minkhah (מִנְחָה) descrito em Gênesis 24:63 pelas palavras "Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar;"
 Arvit (עַרְבִית) ou Ma'ariv (מַעֲרִיב), de "anoitecer".
Muitos nordestinos são avessos à carne de porco, mesmo sem saber explicar o motivo. Ao que não sabem é atribuída a frase: “É coisa dos antigos”.
O RETORNO
Não se deve de forma alguma dificultar o retorno ao judaísmo dos B’nei Anussim, seja qual for o seguimento do judaísmo,.
“Porei a minha Torah na sua mente e as escreverei em seu coração; serei o Deus deles, e eles serão meu povo.” (Hebreus 8:10)
Porém, os que desejarem um retorno, deve ser realizada a circuncisão. Os B’nei anussim têm todo o direito de retornar.
Não se fecha uma porta para uma alma que tem despertado um desejo de retornar ao seu povo, por amor  ao Eterno e por força de um registro genético judaico no seu sangue. O B’nei anussim está abraçando não só a fé judaica, mas todo sofrimento, perseguição, discriminação que marca a vida do povo judeu, porém os anussim mesmo sem serem vítmas diretas do holocausto, tem em sua identidade as marcas do antisemitismo: escravidão, perseguições, constantes fugas e o  sangue pelos horrores da Inquisição que os forçou a serem o que são (filhos forçados), fato este que associados a tradições e inúmeros documentos no qual os b’nei anussim são o objeto de estudo,  confere a eles  todo o direito ao RETORNO.
A luta dos Anussim não deve ser minimizada diante do holocausto, e muito menos esquecida, pois foi um trabalho arquitetado pela  intolerância religiosa e o anti-semitismo, tendo como mentor o nosso adversário espiritual.
O EXÍLIO E O RETORNO SEGUNDO AS PROFECIAS
O Eterno estabeleceu princípios para a volta do Mashiach e estes ainda não foram alcançados. Atos 3:26 “Para que venham tempos de alívio da presença do Eterno, e ele lhes mande o Messias, designado de antemão, 
O profeta Obadias: 20 e 21 cita a ida dos judeus para a Espanha (Sefarade) e o seu retorno: “E os cativos deste exército, dos filhos de Israel, possuirão os cananeus, até Zarefate; e os cativos de Jerusalém, que estão em Sefarade, possuirão as cidades do sul. E subirão salvadores ao monte Sião, para julgarem o monte de Esaú; e o reino será do Senhor” .
Em Devarim 28 (Deuteronômio) a profecia cita a peregrinação dos Judeus desde a chegada a Sefarade (Espanha), até os dias de hoje no Brasil, como B’nei anussim: “E nem ainda entre estas nações descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; porquanto o Senhor ali te dará coração agitado, e desfalecimento de olhos, e desmaio da alma.”  
Constatamos uma referência ao Marranismo, conversão forçada imposta pela Inquisição, onde o judeu estaria sujeito à idolatria. "Vós servireis a deuses… madeira e pedra ali." (Devarim 28:36).
As profecias seguintes apontam para o retorno dos judeus espalhados entre as nações:
Oséias 11:10 e 11 “Andarão após o Eterno; ele rugirá como leão; rugindo, pois, ele, os filhos do ocidente tremerão. Tremendo virão como um passarinho, os do Egito, e como uma pomba, os da terra da Assíria, e os farei habitar em suas casas, diz o Senhor”.
Jeremias 16:15 e 16 “Mas: Vive o SENHOR, que fez subir os filhos de Israel da terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha lançado; porque eu os farei voltar à sua terra, a qual dei a seus pais. Eis que mandarei muitos pescadores, diz o Senhor, os quais os pescarão; e depois enviarei muitos caçadores, os quais os caçarão de sobre todo o monte, e de sobre todo o outeiro, e até das fendas das rochas”.
Jeremias 3:14 “Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o SENHOR; pois eu vos desposei; e vos tomarei, a um de uma cidade, e a dois de uma família; e vos levarei a Sião”.
Ezequiel 39:27,28 “Quando EU tornar a trazê-los de entre os povos, e os houver ajuntado das terras de seus inimigos, e tiver vindicado neles a Minha santidade perante muitas nações. Saberão que EU SOU o SENHOR, seu DEUS, quando virem que EU os fiz ir para o cativeiro entre as nações, e os tornei a ajuntar para voltarem à sua terra, e que lá não deixarei a nenhum deles?”
O DESPERTAR  DOS B’NEI ANUSSIM
É de suma importância pesquisar e divulgar a história dos B’nei Anussim através de filmes, documentários, assim como uma maior valorização por parte de historiadores, para que se possa juntar as peças dessa realidade que faz parte da formação do povo brasileiro e sua cultura, e que também dá sentido aos costumes e tradições judaicas que muitos praticam até hoje, mesmo não sabendo o porque.
Após o fim da Inquisição, no início do século XIX, não se tem muito registro dos B’nei anussim. A comunidade judaica internacional não tinha conhecimento da sua história. Hoje, o rabinato de Israel reconhece até com perplexidade a importância deste fato, tendo enviado um rabino ao nordeste para conhecer de perto a história dos B’nei Anussim e toda a influência judaica na formação da cultura brasileira, porém está em andamento uma formalização sobre este processo.
O conhecimento da verdade é o combustível para o fogo da restauração dos B’nei Anussim. Cada B’nei Anussim, quando toma conhecimento de sua história ocorre de imediato uma mudança em seu interior. É como o soar do toque do shofar para um despertar de 300 anos de um profundo sono.


5 comentários:

  1. Por que devemos,os b'nei anussim,insistir em fazer parte do povo de Israel,quando está,claro que não nos querem,que não somos aceitos como descendentes dos anus?Somos vistos com desconfiaça pelos ortodoxos,nos culpam pela violência sofrida por nossos antepassados,como se eles tivessem "aceitado" o Catolicismo por livre e espontânea vontade e não por um bem maior,salvar suas vidas e de seus entes queridos; a mesma violência e preconceito cometidos contra nossos ancestrais continuam sendo feitas a nós pelo rabinato ortodoxo judaico ou Israel sob a forma de conversão; essa imposição ou violência nos é exigida se quisermos retornar às origens de nossos ancetrais. Por que devemos querer fazer paerte de um povo que nos quer ou aceita? Pra eles somos e seremos judeus de 2ª ou 3ª classe;quando se trata de fazer o retorno às nossas raízes há um monte de obstáculos ou entraves,só faltam nos pedir cópia autenticada com firma reconhecida da certidão de nascimento de Moshe Rabeinu ,agora se for para fazer a conversão aí é mais fácil,isso mostra a falta de vontade e/ou interesse e má fé por parte do rabinato ashkenazita,e ainda vamos medingar que nos aceitem? Até quando aceitaremos ser humilhados dessa forma?

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    1. muitos já notaram neste site,B'nei Anussim Brsail e em outros como Portal B'nei Anussim,Judaísmo Ibérico e Shavei Israel além de outros,que todos dizem querer ajudar-nos a restaurar nossas origens judaicas,mas o que fazem é apenas contar a história da perseguição aos judeus na peninsula Ibérica e depois no Brasil,que pode ser lida em qualquer bom livro de História,além de mencionar as halachas preconceituosas dos ashkenazim; será que querem mesmo nos ajudar a restaurar nossas origens judaicas? Uma coisa simples que é responder a um e-mail não fazem,alguns sites sequer conseguimos acessar o link "contato ou fale conosco",a verdade é que estamos por conta própria,não podemos contar com a ajuda de ninguém,só de D'us. O Judaísmo ortodoxo deixa claro que é elitista e segregacionista,não somos aceitos como judeus,a menos é claro que façamos conversão para sermos tratados como judeus de 2ª ou 3ª classe,pois segundo eles não nescemos de um ventre judeu ou não temos a "vivência" do Judaísmo,agem como se fôssemos culpados pela perseguição,violência e humilhação sofridas por nossos antepassados,não respeitam ou valorizam o sacrifício feito por eles durante a Inquisição,nos tratam com a mesma intolerância que os católicos trataram nossos pais,em que são diferentes deles? Os católicos ao menos não eram judeus,pior é sermos tratados com essa indiferença por aqueles deveriam ser nosso povo e nos acolher. Os poucos que "voltaram" da Babilônia mais de 70 anos depois do Exílio tinham a vivência dos costumes judaicos ou estes se misturaram com os de tantos povos que lá viviam e ao voltar a Jerusalém fizeram conversão à religião de seus pais? E aqueles que passaram pela Diáspora mantiveram seus costumes intáctos ou houve misturas,fizeram conversão? Os que ficaram impedidos de praticar seus costumes/rituais a partir da Noite dos Cristais-1938- e por toda a II Guerra ou Holocausto mantiveram sua vivência judaica como? Parece que conversão é só para nós os b'nei anussim e se a aceitarmos estaremos traindo ou desrespeitando toda a luta e sofrimento dos nossos antepassados durante a Inquisição. Creio que nenhum b'nei anussim,como eu,é contra passar por todo processo de retorno: estudo da história e leis judaicas,aceitar os preceitos da Torah,a imersão e os homens realizar a circuncisão,contanto que ao final do mesmo receba um certificado de retorno aos caminhos de seus pais e não de conversão.

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  2. Página judaica chamando yeshua de mashiach?

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  3. Eu sou convertida e originaria de Portugal provavelmente que tenho ancestres judios mas o que me importou foi de aprender à ser uma Judia autentica para servir o meu creador da maneira mais adquada possivel. A conversāo nāo da judeus de 2 ordem eu hoje vivo em israel como judia ortodoxa e ninguem me trata de maneira inferior aos outros. Toda a vossa oposiçāo aos judios ortodoxos ou outros é unicamente dévido a uma informaçao defeciente. Os judeus podèrão atravessar a historia graça à pratica das tradições aplicadas minociosamente et o estudo da thora assiduo. A leis da thora são aplicadas a todos sem descriminação entre judios ou convertidos. Actualmente nenhum sabio judeu tem visão profetica para poder ver quem é judio e quem não é, e não devemos esquecer que a judaidada se transmete pela mãe et donc todos os testes de généalogia não servem a nada. Por fim quero dizer que se précisa muita humildade para voltar às suas raises e no fim toudo tem sentido e compreendemos tudo

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