RIO DE JANEIRO UM PORTO SEGURO PARA OS MARRANOS

No século XVII, a capitania de Rio de Janeiro mostrava uma estrutura social e econômica sob o domínio marrano. O grosso da população livre era de origem israelita. Como narra SALVADOR (1976: 62 E 63) desde a conquista, vinha-se formando ali uma comunidade marrana. No início do período de 1560 a 1580, estabeleceram-se dez famílias troncos. Em seguida, até 1600, contavam-se 25. de 1601 a 1620, somam-se mais de 17 casais.



A quantidade de marranos aumentou tanto que levou frei Diogo do espírito Santo, em 1625, a pedir a intervenção da Inquisição.
A presença de cristãos novos aumentava ainda mais no Rio de Janeiro com o efetivo das visitações da Inquisição a Bahia e Pernambuco, em 1591, 1618 e 1627. Outros mais vieram para atender o comércio com o Peru, facilitado pela união das coroas ibéricas. Como em Salvador por volta de 1637, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, é a terceira da América portuguesa, por conta dessa grande imigração.

Com o término do domínio espanhol, em 1640, mais aporte de marranos ocorreram, em decorrência da vinda de muitos do Nordeste. Logo após 1640, chegaram mais de 23 famílias. O processo continuou por todo o século XVII. Em outubro de 1695 registra-se que entre 1/4 a 3/4 da população branca ou livre era originalmente, no todo ou em parte de formação israelita. GORENSTEIN (2005: 144-145) escreve que o Rio de Janeiro era um "PORTO SEGURO" para os marranos, tanto para os egressos de outras regiões do Brasil, como aqueles da América espanhola e de Portugal. GORENSTEIN (1999: 30-36 E 2005: 145) avalia em 24% o número de marranos no total da população livre. Outro cálculo é de 75%.

Matéria extraída do livro: - A INQUISIÇÃO NO BRASIL NO COMEÇO DO SÉCULO XVIII DE GILBERTO DE ABREU SODRÉ CARVALHO.

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Passageiros do passado - Revista de História.com.br



A fim de recuperar e preservar a história dos milhares de estrangeiros que desembarcaram no porto do Rio de Janeiro no final do século XIX, o Arquivo Nacional deu início, em 2008, ao projeto “Entrada de estrangeiros no Brasil: as relações de passageiros desembarcados no porto do Rio de Janeiro”. Trata-se de um banco de dados on-line com descrições detalhadas desta lista de imigrantes. Hoje, esta base está sendo ampliada e deve atingir cerca de 1 milhão de registros.

A procura por este tipo de documentação presente no Arquivo Nacional é grande, daí a necessidade de criar um banco de dados digital, que abranja a maior quantidade possível de registros de imigrantes. Segundo o coordenador de documentos escritos da instituição, Mauro Lerner, a alimentação da base não é tarefa fácil. Para a realização do trabalho, o arquivo abrirá vagas de estágio para estudantes de paleografia e história. “Nós temos que colocar pessoa por pessoa na base de dados e, na primeira etapa do projeto, só conseguimos alimentar com cerca de 200 mil passageiros”, explica. Para Lerner, os estudantes têm a oportunidade de mexer com fontes primárias, documentos originais, o que para alguns pesquisadores é um verdadeiro deleite.

Esta é a segunda fase do projeto, com o qual o Arquivo Nacional pretende bater a meta de registros, ao final de dois anos de trabalho. “Mas se a gente for parar para analisar, 1 milhão ainda é muito pouco. Isso abrange apenas uns três anos de entrada de imigrantes no Rio de Janeiro”. Nós vamos, então, digitalizar todas as relações de vapores, para que as pessoas possam pesquisar em casa. Isto facilitará bastante e deverá diminuir a procura física aqui no Arquivo. Poupa o pesquisador e preserva a documentação”, pondera o coordenador.

O Arquivo Nacional é responsável pela salvaguarda de mais de 10 mil listagens de vapores desde 1986, quando foi determinado que toda a documentação de estrangeiros, de 1979 para os anos anteriores, fosse recolhida pela instituição. Trata-se de uma documentação historicamente importante, que representa um avanço no desenvolvimento da pesquisa sobre a imigração no Brasil.

Os navios que ancoravam no porto carioca traziam consigo histórias ao mesmo tempo coletivas e individuais, pois cada imigrante, além de estar inserido em um contexto amplo de época e de sociedade, tinha também sua história particular e familiar. Para a cientista social Ana Carolina Reyes, que acompanha os trabalhos de transcrição dos documentos para a base de dados, é imprescindível ter acesso ao material. “Conhecer este tipo de documentação nos faz entender melhor determinados períodos da História. E o projeto sempre teve o anseio de facilitar a vida do pesquisador”.


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