A inquisição na Bahia






No Brasil não foi instituído um Tribunal da Inquisição, a sua jurisdição pertencia ao Tribunal de Lisboa que se encarregava dos casos ocorridos no Brasil e dos outros territórios de além-mar, exceto de Góa que tinha o seu próprio Tribunal. O fato de não ter se instalado um Tribunal por aqui, não quer dizer que a Inquisição não se fez presente na América portuguesa.  Segundo Luiz Mott, por diversas vezes, o Santo Ofício imiscuiu-se arbitrariamente na vida dos baianos, mantendo a ferro e fogo, através de uma rede de espiões, os temíveis Comissários e Familiares do Santo Ofício a hegemonia da Igreja.


Onde não havia Tribunal operavam os Comissários, espécies de Inquisidores locais com poderes de fazer prisões e a obrigação de denunicar tudo que lhe parecer suspeito. Os mais fiéis e ativos servidores  que a Inquisição teve, foram os Familiares. Como todos os funcionários da Inquisição estavam a salvo de qualquer crítica e censura.
As autoridades inquisitoriais tentaram instalar um Tribunal da Inquisição em Salvador. No entanto a razão de não se ter introduzido este projeto é tema de debates, não havendo um consenso entre os pesquisadores da historiografia da Inquisição. Alguns historiadores advogam a idéia que se fosse instituído um Tribunal na Bahia, teria sido a ruína da economia açucareira, em grande parte dominada pelo capital e empresários cristãos-novos. Segundo Luiz Mott, tal iniciativa significaria incontestáveis detenções de feiticeiros, sodomitas, bígamos, padre libertinos. E ainda afirma: “mesmo sem um tribunal local, a Santa Inquisição, foi o nosso mais temido “bicho papão” durante todo o período colonial”.
Outros autores falam-nos que o que impediu a instituição deste Tribunal, foram razões políticas. A Inquisição chegou a ser inimiga fervorosa da casa de Bragança, e tudo fez para impedir a Restauração dessa dinastia ao trono português. O ódio que nutria os portugueses pela Espanha era bastante conhecido. Minar as fontes de riqueza brasileira seria, pelo menos durante o domínio da coroa de Espanha, seria uma política coerente aos propósitos do Santo Ofício.
Não existe consenso. Quando conhecermos melhor os documentos existentes sobre a ação o Santo Ofício no Brasil, talvez possamos esclarecer alguns pontos que ainda não foram elucidados.
A Inquisição trabalhava com um número considerável de funcionários e auxiliares. Pertencer ao seu corpo significava gozar de muitos privilégios, além de conferir segurança e prestígio. No entanto, segundo Anita Novinsky, para fazer parte de sua organização era necessário pertencer à mesma classe social, e para tal anseio era condição essencial a pureza de sangue. Antes de fazer parte desse grupo líder da sociedade. o candidato tinha que passar por uma série de investigações, a fim de apurar sua vida e a sua origem. Todos os funcionários deveriam passar por um processo de habilitação, para fazer uma investigação de sua vida, não podendo ter sangue impuro, de negro, mulato, cigano, cristão-novo, mouro e judeu.
O material necessário para o funcionamento do Tribunal vinha das denúncias e das delações recebidas. Todos os rumores públicos e maledicências eram captadas pelos auxiliares que o Santo Ofício tinha espalhado pela Bahia. Como nunca se instalou um Tribunal, cabia aos famigerados Comissários e Familiares do Santo Ofício, a temida tarefa de denunciar, prender, seqüestrar os bens, e embarcar para o Reino os suspeitos enquadrados no rol dos crimes do conhecimento da Santa Inquisição.

EYMERICH, Nicolau. Manual dos Inquisidores – Directorium Inquisitorum. RJ: Rosa dos Ventos; Brasília: UNB, 1993, pp. 9-35.
MOTT, Luiz. Bahia: Inquisição e Sociedade. Salvador: EDUFBA, 2010.
NOVINSKY, Anita Waingort.  A Inquisição. São Paulo, ed. Brasiliense 1982.
Cristãos Novos na Bahia: A Inquisição. São Paulo: Editora Perspectiva, 1992.
SARAIVA, Antônio José. Inquisição e Cristãos Novos. Lisboa, Ed, Estampas, 1969.




3 comentários:

  1. Shalom Ricardo Oliveira,

    Sou L. Gustavo O. Sousa, moro no bairro de Santa Cruz, Rio de Janeiro. Já estive na Beit El Shamah, inclusive comecei a comprar as apostilas do seminário, porém infelizmente por motivo de força maior tive que optar por continuar os estudos em época mais oportuna.
    Bom, na verdade meu contato se dá por causa da minha pesquisa sobre meus antepassados, judeus ou não, estou nesta busca difícil. Procurando encontrei teu site e falando sobre inquisição na Bahia, me interessou, pois a família de minha mãe é de Salvador. Comecei a fazer minha árvore genealógica, fui até meus tataravós, porém só de nomes, datas e locais de nascimento está mais difícil.
    Enfim, você poderia contribuir com minhas pesquisas? Você saberia mais informações sobre os b'nei anussim de Salvador?

    este é meu site: www.shemah-israel.com, caso queira dar uma olhada fique a vontade.

    ResponderExcluir
  2. Shalom L Gustavo, é um caminho bem difícil e trabalhoso, porém se você chegou até seus tataravós, você pode ir no local onde eles nasceram e procurar a igreja onde foi registrado o batismo de seus tataravós. A partir daí, você terá nomes dos pais e avós deles. É possível!

    ResponderExcluir
  3. A mãe de minha avó é de Estância-SE, um professor de história e pesquisador que é de lá, porém está no RJ, está me ajudando. O pai de minha avó, acredito que seja de Inhambupe-BA.
    Existe um site da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que dispõe de um grande arquivo digitalizado das igrejas da Bahia, infelizmente não tem de Salvador.
    Mas é isso, vou continuar firme na minha busca, e espero que eu seja surpreendido com uma boa notícia no final.
    Shalom!

    ResponderExcluir

Todo comentário será previamente avaliado antes do mesmo ser publicado.
Favor assinar com o seu endereço de email.
Obrigado.