B'nei Anussim visão de um Norte-riograndenses


Por Adriano Costa, adaptado por Ricardo Torres.

 Expulsos de Portugal, muitos judeus se instalaram no nordeste brasileiro no século XVII. Por volta de 1635 chegaram aos portos do nordeste judeus vindos da Holanda, mas originários da Península Ibérica (sefardins). Atraídos pela prosperidade, os navios fretados por judeus chegavam aos nossos portos quase que mensalmente. Uma vez aqui,
muitos prosperaram sobretudo no comércio. Em 1910, uma nova leva, desta vez vindo da Rússia, chega a nossa região.
         
Perseguidos pela Igreja Católica acusados de heresias em toda Europa, especialmente na Espanha e em Portugal, os judeus do nordeste brasileiro só tiveram liberdade religiosa durante o domínio holandês (1624 - 1654). Com a expulsão dos holandeses, a repressão voltou. Muitos foram obrigados a se cristianizar novamente ou rumar para, entre os índios janduís, viver no interior do Rio Grande do Norte.
Em Recife (PE) foi erguida a primeira sinagoga das Américas no século XVII. Também lá foi escrita a primeira manifestação em hebraico do Novo Mundo. São três orações escritas pelo rabino Isaac Aboab da Fonseca, que relatavam o sofrimento e as provações  passadas pelo povo judeu. Isaac por sua vez, foi também o primeiro rabino das Américas.
 Mas na verdade, a presença dos judeus nesta região data da chegada de Pedro Álvares Cabral. De acordo com Gilberto Freyre, de dez portugueses que vieram para cá, oito eram cristãos-novos, eles se espalharam principalmente pela Paraíba e Rio Grande do Norte, fugindo da Inquisição e lutando  para preservar a religião e a cultura judaicas em segredo.
Muitos mudaram seus sobrenomes a fim de fugir do preconceito, chegando a adotar nomes de árvores, plantas ou lugares em substituição.
Como por exemplo: Carvalho, Moreira, Nogueira, Oliveira, Pinheiro,
Lopes, Dias, Nunes, Souza, Medeiros e Costa. Por aqui ficaram conhecidos como "marranos" - por terem sido convertidos ao catolicismo "na marra".
Issac Aboab da Fonseca (Recife), 1° rabino das Américas 
O anti-semitismo, isto é, ódio e repulsa a tudo o que é judeu, tem uma longa história na Europa e atingiu o seu ápice durante a Alemanha Nazista.
 Há alguns legados marranos presentes até hoje na cultura do nordeste brasileiro, como por exemplo a carne de sol do Rio Grande do Norte que é originária da carne kasher judaica, a tapioca típica foi desenvolvida da matzah judaica, o enterro de corpos em mortalhas, a retirada total do sangue dos animais abatidos; pintar as casas no final de ano, arrumá-las às sextas-feiras; comprar mercadorias à porta de casa e em prestações. Hoje, os judeus baseiam sua identidade muito mais em um sentido de história e tradições comuns do que em elementos étnicos ou lingüísticos.
 O elemento central do judaísmo é o monoteísmo sintetizado  na oração Shemá Israel...que diz "Ouve, Israel:  o Eterno é nosso D'us, o Eterno é Um".
 Oficialmente o censo de 1980 encontrou só 36 pessoas seguidoras da fé judaica no Estado. Já o de 1991 revelou um número um pouco maior, 59 fiéis. Porém, o sangue semita corre nas veias de um número muito maior de norte-riograndenses, incluindo dos mais de 90% que professa a religião católica.
FORTE DOS REIS MAGOS (RN)
Local onde ficou hospedado Maurício de Nassau e Franz Post, o pintor do Castelo
Keulen durante a conquista Holandesa. (período de predominância da cultura judaica no nordeste brasileiro)

Atualmente vivem 120 mil judeus no Brasil enquanto que no mundo eles são aproximadamente 15 milhões. É certo, há poucos praticantes do judaísmo, se compararmos aos adeptos de outras religiões, mas a representatividade dos judeus é muito grande no mundo político, científico, cultural e sobretudo econômico.

Os cristãos-novos brasileiros não estão sós. Você sabia que há judeus negros? Na África há dois povos muito antigos que só recentemente foram reconhecidos como judeus.
Falashas.
 Os falashas (nome cujo significado é: estrangeiro) são descendentes do rei Salomão e a rainha etíope de Sabá. Viviam na Etiópia até a grande seca de 1985 quando, para salvar-lhes a vida, Israel montou a operação Moisés, uma iniciativa da Organização Sionista Mundial para tirar-lhes secretamente, via aérea, da África e levá-los ao Estado de Israel. Ao chegarem em território israelense, os médicos diagnosticaram nos falashas casos fisiológicos e de nutrição semelhantes aos encontrados nos sobreviventes dos campos de concentração.
 Na Etiópia os falashas formavam uma comunidade atrasada e fechada que preservava, intactos, usos e costumes que remontam a mais de dois séculos. Dizendo-se descendentes da tribo perdida de Dan, fundada por Menelik, filho do rei Salomão com a rainha de Sabá, os judeus etíopes só foram localizados em meados do século XIX, após  mais de mil anos de isolamento, e apenas em 1947 os rabinos-chefes de Israel admitiram formalmente serem eles judeus.
LEMBAS
 Um teste de DNA feito em 1999 pelo geneticista inglês David Goldstein, da Universidade de Oxford, descobriu que uma tribo de negros do norte da África do Sul e arredores têm  ascendência judaica. "Os Lemba fazem a circuncisão, casam-se apenas entre si, guardam um dia da semana para orações e não comem carne de porco ou de hipopótamo, considerado um parente do porco". Comprovou Tudor Parfitt, historiador
do Centro de estudos Judaicos, de Londres.
 Segundo a tradição oral dos Lemba, eles viviam num lugar chamado Senna. Há no Iêmen uma pequena vila com esse nome que até o século X ficava num vale fértil, abastecido por um açude. Quando este secou, a maioria das pessoas partiu.
 Geneticamente, os lembas são parentes dos Cohanim que juntamente com os Levi e os Israel formam um dos três grupos em que se divide o povo judeu.
Os cientistas afirmaram que o ancestral comum dos Lemba e dos Cohanim viveu entre 2.600 e 3.100 anos atrás. Pela tradição judaica o período coincide com a vida de Aarão,  o irmão de Moisés, de quem os Cohanim se dizem descendentes diretos. Provavelmente o grande pai também dos negros

Fonte: "Os porquês do Judaísmo"
(Rabino Henry I. Sobel)


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