Yitzchak ben Yehuda Abravanel



Isaak Abrabanel

Dom Isaac ben Judah ou Yitzchak ben Yehuda Abravanel (hebraico: יצחק בן יהודה אברבנאל; Lisboa, 1437 - Veneza, 1508) foi um estadista, filósofo, comentador da Bíblia e financista judeu português. Em várias obras ele é referido apenas pelo seu apelido, que por vezes surge como Abravanel, Abarbanel, ou Abrabanel. Muitos estudiosos da Torá e do Talmude referem-se a ele simplesmente como "O Abarbanel".
Nasceu em Lisboa, em 1437, e viveu vários anos na cidade de Queluz. Faleceu em Veneza em 1508 e foi enterrado em Pádua.
A família Abravanel é uma das mais antigas e distintas famílias judaicas sefarditas, cuja ascendência direta tem origem no Rei David. Membros desta família viveram em Sevilha, onde viveu o seu representante mais velho, Judá Abravanel.
No Brasil há uma pessoa de grande relevo descendente de Isaac Abravanel: o também judeu Senor Abravanel, mais conhecido como Silvio Santos, um dos mais importantes ícones da cultura brasileira e o mais longevo apresentador de programas de televisão do país.

O Edito de Expulsão

Na introdução a seu comentário ao Livro dos Reis, Don Yitschac Abarbanel, descendente da Casa Real de David e líder da comunidade judaica, descreve o edito de expulsão proclamado pelo rei Fernando no primeiro dia de Adar 5252 (fevereiro de 1492):
"Em 1492, o rei da Espanha capturou o reino de Granada junto com sua cidade-capital. Um sentimento de poder e arrogância fê-lo pensar: 'Como posso ser aceitável perante o Altíssimo que me armou com força para a guerra? Como posso agradecer a meu Criador que me entregou esta cidade, se não trazendo sob Suas asas os povo que caminha nas trevas, o rebanho disperso de Israel?'
Abarbanel continua: "Quando eu estava presente no palácio real, gritei até ficar rouco - falei com o rei três vezes - supliquei diante dele, dizendo: 'Salve ó rei! Por que farás isso aos teus servos? Multiplica penalidade de dinheiro contra nós a vontade, e cada um dos judeus dará tudo o que tem em prol de seu país.' Procurei meus amigos que vinham à presença do rei, para implorar por meu povo. Príncipes se reuniram e insistiram fervorosamente com o rei para revogar o escrito de ira, para desistir de seu plano de destruir os judeus. Mas ele selou os ouvidos como se fosse surdo e recusou terminantemente reconsiderar. A rainha estava a seu lado direito, para incitá-lo ainda mais... para agir com determinação definitiva. Lutamos, mas nenhuma prorrogação nos foi dada. Não descansei, não desisti, mas fui incapaz de desviar a condenação.
"O povo ouviu as más notícias e se entristeceu. Onde quer que chegasse a palavra do rei e sua ordem, houve grande luto entre os judeus. Havia terrível medo e angústia como nunca foram conhecidos desde o exílio de Yehudá para solo estrangeiro. Resolvemos: 'Sejamos fortes em nome de nossa fé, da Torá, de nosso D'us, na presença dos que blasfemam e dos que nos odeiam. Se nos deixarem viver, viveremos, e se nos assassinarem, morramos, mas não profanemos nosso pacto e não permitamos a nosso coração recuar. Iremos em nome de D'us."
"Eles foram sem força - 300.000 a pé - os jovens e os idosos, pequeninos e mulheres, num dia - de todas as províncias do rei, para onde os levasse o vento."
Don Yitschac Abarbanel também escreve em seu comentário sobre Yirmiyáhu: "Quando o rei da Espanha decretou a expulsão dos judeus, a data foi marcada para o fim de três meses a partir do dia em que foi proclamado. Esse dia foi 9 de Av. Mas o rei não conhecia o caráter desse dia quando emitiu o decreto. Foi como se tivesse sido guiado de Cima para fixar esse prazo."
Após a Proclamação do Edito
Muitos judeus foram assassinados e roubados pelos vizinhos ainda antes de chegar a hora da partida, pois o sangue judeu era indefeso. Muitos fugiram da Espanha e se dispersaram pelas estradas indo para além das fronteiras da Espanha mesmo antes do prazo marcado. Mas toda sorte de calamidades os assolou na estrada, como se a mão de D'us Se tivesse erguido contra eles, a fim de destrui-los.
Música, Canto e Louvores
Os exilados saíram para a estrada no decorrer do período das Três Semanas, entre 17 de Tamuz e 9 de Av. Grupos de vários tamanhos precederam a grande partida no dia 9 de Av.
Embora esses dias sejam de luto e pranto pela destruição dos Santuários e da Terra de Israel, e a música proibida, os sábios daquela geração deram permissão para os exilados marcharem ao som de músicos, a fim de fortalecer o espírito do povo e infundir nele esperança e fé em D'us. Davam graças a D'us por terem resistido à prova, não se submetendo à conversão e por conseguirem atingir o mérito de santificar o nome de D'us com sua partida da Espanha.
Era também a intenção dos Rabis, ao permitir o toque de instrumentos, ensinar o povo que nunca derramamos lágrimas pela partida ao exílio; choramos somente pela partida de Jerusalém.
Artigo publicado em:  www.chabad.org

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