Safed e os Anussim



Yakov Berav, conhecido como  Berav Mahari, nasceu em Moqueda perto de Toledo, Espanha, em 1474 e morreu em Safed, 3 de abril de 1546.
Rabino Yakov Berav foi um aluno do Rabi Yitschac Avoav (Isaac Aboab da Fonseca, de Portugal, rabino da primeira sinagoga das Américas em Pernambuco)
Após a expulsão espanhola, muitos judeus permaneceram na Espanha, praticando o judaísmo em segredo, embora publicamente pareciam ser cristãos.

Milhares destes judeus marranos fugiram para áreas onde poderiam praticar sua religião com relativa liberdade, mas eles foram assombrados pelos pecados que eles haviam cometido nos anos anteriores. Eles viviam com medo de seu dia final do julgamento, quando diante de Hashem teriam que ajustar contas por suas ações e enfrentar conseqüências graves. 
Como  rabino-chefe de Safed,  Yakov Berav veio com uma solução original para o problema.
Yakov Berav conclui que  os sofrimentos que estavam passando era uma ação de ha-satan, e que a forma de corrigir era levantar a Shekinah do exílio, e isto seria através do estudo da kabbalah e a halachá.
No judaísmo Asquenazi, quando deve-se emitir uma responsa haláchica que envolve conceitos cabalísticos, os asquenazitas dizem que a halachá sempre segue. já no conceito Sefardita a halachá pode ser ajustada a kabbalah de forma harmoniosa sem que haja divergência.
Yakov Berav incentivou os anussim a cumprirem as leis, e Yosef Karo que foi seu aluno, escreveu o Shulchan Aruch para que o povo pudesse viver de forma correta.
Yakov Berav também incentivava que o povo judeu voltasse para Israel, pois estava crendo que permanecer no exílio era um agravante aos males já sofridos.
Rabino Berav estava intrigado com um plano para acelerar a restauração dos anussim. Ele pretendia plantar a semente que serviria para unificar todos os judeus da Diáspora com a  criação de uma fundação para a independência intelectual e espiritual na Terra de Israel.
Ele propôs a criação de um Sanhedrim para limpar os anussim e levar cabo a punição sofrida pelo pecado de muitos por terem sido convertidos (forçados) ao cristianismo.
Para Yakov Berav a única forma de restabelecer Israel era restaurando os anussim.
Para restabelecer o Sanhedrim era preciso 70 rabinos ordenados para que pudessem ordenar outros, dando assim a continuidade ao Sanhedrim. Não foi possível, pois não havia rabinos para receberem a ordenação.
O rabino Yakov Berav necessitaria uma abordagem diferente.
O Rambam ensinou  que, se os sábios em Eretz Yisrael concordassem em ordenar um homem de sua escolha, então poderia ocorrer a somech (ordenação).  Poderia, então, ordenar outros. Durante um ano, o rabino Yakov Berav discutia as questões haláchicas de restabelecimento da instituição de semicha (de ordenação rabínica) com os estudiosos de Safed. Depois de muita discussão os estudiosos chegaram à conclusão de que a visão Rambam estava correta, e que havia uma necessidade urgente de restabelecer o Sanhedrin . Em 1538, 25 rabinos se reuniram em uma assembléia em Safed e o rabino Yakov Berav foi ordenado recebendo o direito de ordenar outros, então, formaram o Sanhedrim.
Yakov Berav trabalhou muito, pois tinha uma convicção clara que só se poderia atrair o Mashiach com a restauração dos anussim.

Hoje a restauração dos B'nei Anussim (filho dos forçados) tem ocorrido em grande escala de forma pessoal, isto é, levando cada um a ter uma experiência direta com o Eterno.


  

3 comentários:

  1. Por que muitos ainda nos chamam,os b'nei anussim,marranos (porcos)? Qual o motivo desse tratamento? Por que devemos fazer teshuvá ou conversão à religião de nossos ancestrais? Os descendentes dos que foram exilados na Babilônia ao voltar quase 100 anos depois fizeram teshuvá ou conversão ao Judaísmo? Os sobreviventes do holocausto que foram impedidos de praticar as leis e costumes judaicos por alguns anos fizeram teshuvá ou conversão ao Judaísmo? Por que devemos querer fazer parte de um povo que não nos quer,não nos aceita como judeus? Para sermos tratados como judeus de 2ª ou 3ª classe? É essa a recompensa pelo sacrifício dos nossos antepassados que mesmo correndo risco de morte procuraram manter o quanto puderam as leis e costumes judaicos? É esse o respeito pela memória deles? Os ortodoxos/ashkenazim nos culpam pela violência sofrida por nossos antepassados,somo vistos com desconfiança,tratados com arrogância,intolerância,preconceito e desprezo. Quem deu autoridade aos ortodoxos/ashkenazim decidir quem é judeu ou não,D'us? O Eterno disse através de Ezequiel: " Eu dispersei-os entre as nações...Eu vos tirarei dentre as nações,vos congregarei de todos os países,vos trarei de volta para vossa terra". Nenhuma lei ou halachá,ainda que seja de Ramban ou de Yossef Caro está acima das leis dadas pelo Eterno aos nossos ancestrais no Monte Sinai;eles desobedecem às leis de D'us para seguir suas tradições criadas por homens. Para nós,os b'nei anussim,a inquisição ainda não terminou no que depender de Israel e dos ortodoxos/ashkenazim que querem nos forçar ou impor conversão para sermos "judeus".

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  2. Também sou neto de judia e para frequentar a Sinagoga precisaria fazer a conversão, achei absurdo ter tratado com judeu de segunda classe, logo fiz da minha casa, a sala de oração, faço minhas orações no sábado na Torah, uso a kipah e acendo a menorah, tudo diretamente com nosso D'US. Sem intermediários.

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