Recebendo de volta os Anussim



Uma Teshuvá Haláchica do Rabino David A Kunin

Examinaremos agora outra abordagem, minha sugestão pessoal, sobre uma resposta haláchica adequada para esta pergunta. Conforme verificado acima, ambas as responsas (A Responsa fornece respostas para perguntas sobre o judaísmo e a vida judaica.) rabínicas existentes seguem exigências ashkenazís estipuladas no que diz respeito ao retorno dos anussim. Todavia, a comunidade que retorna não é de ashkenazi, mas de sefaradi. É sabido que as vivências históricas das duas comunidades não foram idênticas, e não deveria ser surpreendente, portanto, que as respostas haláchicas para situações discrepantes também não sejam idênticas. Isto ocorre graças ao fato de que a halachá é, por natureza, situacional e dinâmica, em vez de universal e estática (estas abordagens discrepantes e as razões para as mesmas foram examinadas no trabalho que apresentei ano passado).
Por isso eu acredito que é apropriado nos voltarmos inicialmente para a responsa haláchica dos rabinos sefaradís em vez dos ashkenazís, uma vez que eles escreviam para, e basearam-se nas realidades da comunidade à qual estamos nos referindo.
Em essência, a pergunta que faremos poderia ser reformulada para: "Será que os aussim em processo de retorno devem se submeter aos rituais de conversão antes de receberem permissão para participar plenamente como parte da comunidade judaica como um todo?" Nós examinaremos então, em princípio, a exigência aos anussim vis-a-vis as leis de conversão. Tradicionalmente, a conversão ao judaísmo (para judeus conservadores e ortodoxos) é composta de três (para um homem) ou dois (para uma mulher) passos essenciais, conforme esboçados no Shulchan Aruch Yorê Deá 268, escrito por Iossef Caro. Um homem convertido deve passar por Brit Milá, Tevilá e Cabalát Mitsvá, ou seja, ser circuncidado, ser imergido em uma micvá, e aceitar o jugo dos mandamentos na presença de um Bet Din (um tribunal de pelo menos três rabinos - tecnicamente exige-se de um Bet Din testemunhar todos os aspectos da conversão, mas Caro declara que, na prática, se o Bet Din estiver presente apenas na Aceitação das Mitsvot, a conversão permanece válida). Da mulher exige-se que passe por tevilá (imersão) e Cabalát Mitsvá (aceitação das mitsvot). Todos estes passos são necessários ou a conversão é considerada inválida; a única excepção é que se um homem já for anteriormente circuncidado, então se retira uma gota de sangue, em um ritual denominado hatafát dám brit. Também é tradicional repelir por três vezes o convertido potencial, e hoje a maioria dos rabinos requer um período extenso de estudo, por um ano ou mais, antes que os rituais de conversão possam ser executados. Cada passo do ritual, conforme estão apresentados no Shulchan Aruch, será examinado em relação ao retorno dos anussim. O primeiro passo da conversão é a exigência de repelir o convertido potencial. O Shulchan Aruch registra que se deve dizer a um convertido: "Você não sabe que os israelitas são um povo oprimido e menosprezado?". Se ele ainda desejar se converter, então será aceito e o processo é iniciado. Este passo do processo de conversão está ausente das fontes ashkenazís e sefaradís. Não há qualquer exigência para repelir um anús em processo de retorno, uma vez que ambas as responsas ashkenazís e sefaradís medievais reconhecem a conexão histórica doa anussim à comunidade judaica. Após resistir ao desestímulo, o prosélito será educado na lei judaica como preparação para o cabalát mitsvá, a aceitação do jugo da lei. A cabalát mitsvá será feita na presença de um Bet Din. É interessante notar que Caro não exige que o prosélito passe por uma educação detalhada da lei; em vez disso, ele ou ela somente serão educados nos fundamentos da observância e da convicção judaicas. As fontes sobre os anussim apresentam uma interessante variedade de abordagens relativas à exigência da educação e da cabalát mitsvá. As fontes ashkenazís silenciam sobre a exigência para educação, mas universalmente exigem cabalát mitsvá. Mas as fontes sefaradís declaram explicitamente que nenhuma educação ou cabalát mitsvá é necessária. Nas palavras de Solomon ben Simon Duran: "Uma vez que está claro que estes (anussim) não devem ser considerados prosélitos, nós então não precisamos lhes enumerar todos os mandamentos e suas punições (como deve ser feito a um gentio que deseja se tornar um prosélito). Isto é óbvio, uma vez que se você fosse lhe dizer que (como você faria com um candidato gentio para conversão), se ele (o anús) não desejar aceitar os mandamentos, nós o afastaríamos e ele estaria livre delas como se fosse um gentio - Deus proíba que isto sequer passe pela mente. Porque ele já tem o pleno dever de cumpri-los da mesma maneira que nós". Duran explica que a educação e a aceitação das mitsvot são desnecessárias porque o anús já é, nas suas palavras, parte da casa de Israel. Após o ensino das mitsvot, o próximo passo no processo listado por Caro é a tevilá, a imersão na micvá. Tradicionalmente o prosélito imerge uma vez, recita as brachót (bênçãos) apropriadas e então imerge mais uma ou duas vezes. Todas as fontes ashkenazís exigem que um anús em processo de retorno passe por tevilá. Fontes sefaradís, de Rambám (Maimônides) em diante sustentam que a imersão é desnecessária. Duran declara: "Uma vez que ele (o anús em processo de retorno) é um israelita, não precisa do banho ritual". O estágio final da conversão mencionada pelo Shulchan Aruch como parte de conversão é o brit milá, a circuncisão. A circuncisão de um prosélito será acompanhada pela brachá: "Baruch atá Adonai, Elohênu Melech Haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu lamul et guerim (Abençoado és Tu, Adonai, nosso Deus, Rei do Universo, que nos santificaste com Tuas mitsvot e nos ordenaste a circuncisão dos prosélitos)". Caro acrescenta que se o candidato já é circuncidado então deve ser feita a hatafát dám brit. Brit Milá é traduzido literalmente como Sinal do Pacto, e é uma mitsvá obrigatória para todos os homens judeus. Assim, todas as fontes exigem que os anussim em processo de retorno sejam circuncidados ou façam hatafát dám brit. A maior parte das fontes silencia sobre o teor da brachá, mas Duran declara que as mesmas brachot usadas para os homens recém-nascidos no brit milá no oitavo dia devem ser usados para os anussim em processo de retorno. São estas: "Baruch atá Ad-nai, Eloquênu Melech Haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu al hamilá (Abençoado és Tu, Ad-nai, nosso Deus, Rei do Universo, que nos santificaste com Tuas mitsvot e nos ordenaste sobre a milá)", antes da circuncisão, e "Baruch atá Ad-nai, Elohênu Melech Haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu lehachnissô bevritô shel Avraham Avinu (Abençoado és Tu, Adonai, nosso Deus, Rei do Universo, que nos santificaste com Tuas mitsvot e nos ordenaste inseri-lo [o anús] no Pacto do nosso Patriarca Abrahão)". Embora a circuncisão seja exigida tanto para o prosélito quanto para o anús, e de fato para qualquer homem judeu não circuncidado, o teor da brachá é novamente uma indicação do status pleno do anús como membro do povo judeu.
Duas Perguntas Finais: Sinceridade e Descendência Há duas perguntas finais que devem ser feitas. Será que devemos nos preocupar com a sinceridade da conversão inicial ao catolicismo pelo antepassado do anús na Espanha dos séculos XIV e XV, e deveríamos aceitar apenas aqueles anussim que podem demonstrar descendência matrilinear até... eu imagino que até Moshé Rabênu? Antigas autoridades sefaradís, tais como o Rivash, rabino Itschac ben Shesht, exigiram que fossem feitas cuidadosas avaliações dos anussim em processo de retorno (Responsa 11). Eles acreditavam que só aqueles que foram convertidos violentamente e que nunca abraçaram o cristianismo com qualquer grau de sinceridade deveriam ser aceitos de volta à comunidade judaica. Shesht declara que há dois tipos de anussim, "aqueles que escolheram a conversão, abandonaram o jugo da Torá, cortaram os elos da Torá deles mesmos, e de própria vontade seguem os caminhos dos idólatras e estão transgredindo todas as mitsvot da Torá", e "aqueles que teriam deixado a Espanha, mas foram incapazes de fazer isso... e tiveram o cuidado de não se sujarem com a impureza dos pecados, excepto em tempos e lugares de perigo". O primeiro grupo, com efeito, não era mais parte do povo judeu, e seus membros tornaram-se inelegíveis como testemunhas, enquanto os do segundo grupo permaneceram como judeus e casher como testemunhas. A responsa do Rivash tratava apenas daquelas pessoas que fizeram as escolhas iniciais relativas à conversão (ao cristianismo). Isto não dizia respeito aos filhos destes. Mais tarde as autoridades rabínicas sefaradís se dirigiram aos descendentes destes anussim e não fizeram qualquer distinção entre os dois grupos do Rivash, uma vez que mesmo os filhos destes anussim que caíram no primeiro não eram responsáveis pelas decisões dos seus pais. Sadaya ibn Danan e outras autoridades sefaradís igualam os filhos como filhos judeus criados por gentios, portanto sem qualquer culpa pela prática cristã dos seus pais. A resposta para a segunda destas duas perguntas é mais complexa. Por mais de dois milênios os judeus traçaram a sua identidade religiosa/nacional pela linha matrilinear. Todavia, exigir isto dos anussim é, essencialmente, uma placa dizendo "não entre" - a não ser por uma conversão plena no sentido pleno da palavra. Porém, a responsa sefaradí provê um meio de criar um atalho. Enquanto Duran, que por outro lado oferece uma das mais liberais responsas sefaradís, declare que os anussim que podem traçar uma linha materna devem ser aceitos "até o fim de todas as gerações". Ibn Danan é muito mais liberal neste ponto. Danan declara que "nenhum cuidado especial deveria ser tomado para investigar a genealogia dos anussim, sobre a mãe dele ou dela era judia". Também deve se destacar que quase todas as responsas sefaradís tornam quase uma obrigações receber os anussim de volta. Duran declara: "Nós não devemos aterrorizá-lo ou confundi-lo, mas atraí-lo a nós com bondade, porque ele está de pé como nós sob o juramento feito no Sinai". Danan de fato captura os sentimentos modernos dos anussim ao declarar: "Se os marranos", diz ele, "são considerados gentios e aqueles que querem retornar são considerados prosélitos, o desejo deles de retornar à comunidade judaica será enfraquecido... os marranos não devem ser recebidos como estranhos, mas como irmãos. Eles devem ter o sentimento de que estão voltando para casa... de fato, dentro da linhagem todo o povo de Israel são irmãos. Nós todos somos filhos de um pai. O jugo da lei ainda está nos ombros deles e jamais pode ser removido deles". Iossef Caro, em Bet Iossef, declara que os anussim "não devem ser desencorajados de forma alguma de retornarem ao judaísmo". Alguns rabinos modernos têm exigido ketubot (documento matrimonial judaico) ou outros documentos como instrumentos de prova da identidade judaica dos anussim. Não se pode estar em sã consciência achar que aqueles que mantêm a sua identidade oralmente e por actos devam ser punidos quando o material escrito estava nas mãos do opressor (por exemplo, o governo real espanhol ou o Santo Tribunal da Inquisição). A ironia neste caso foi que o opressor estava de posse dos registros exigidos por alguns rabinos. Mais adiante, conforme destacado por Hordes, a própria existência destes registros é precária, em geral desaparecida ou destruída com o passar do tempo. Os seguintes factores extra-haláchicos também devem ser levados em conta. A história de perseguição e segredo dos anussim são conhecidas há mais de 600 anos. Então o seguinte pode ser demonstrado claramente:
1) Os anussim tem sido um segmento identificável, ainda que oculto, da comunidade judaica por mais de meio milênio.
2) Os anussim consideram-se parte do povo judeu apesar do perigo e apesar de estarem apartados do mundo judeu. Os anussim também têm mantido uma notável dedicação aos ensinamentos e rituais da tradição judaica o máximo que podem, apesar do perigo e do isolamento.
E a resposta da comunidade judaica é uma pobre retribuição para uma sobrevivência assim tão heróica diante da perseguição, do medo, do teste e do tempo.
Baseado na discussão acima segue a minha opinião.
Devido à história particular dos anussim que mantiveram a sua identidade, convicções e práticas judaicas secretamente e em geral colocando-os em risco, e a partir das palavras do rabino Solomon Duran, os anussim devem sempre ser considerados parte do povo judeu; nenhuma cerimónia é necessária de conversão é necessária, tampouco é necessário investigar a genealogia dos anussim em processo de retorno para demonstrar uma clara linha matrilinear de descendência. Porém, é aconselhável prover e encorajar a educação contínua de adultos assim como fazemos para todos os judeus, de forma que os anussim em processo de retorno podem exercer um papel pleno na vida sinagogal. Também pode ser útil desenvolver um ritual de retorno dentro da congregação como uma forma de celebração e formalização do retorno.
Rabino David A Kunin

6 comentários:

  1. Eu sou bnei anussim e sigo todos os costumes e leis do judaísmo. Muito bom este artigo.

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  2. Shalom Rosa Caria, Divulgue a questão dos B'nei Anussim. Nós sabemos quem somos e de onde viemos, porém quantos milhares de brasileiros tem sangue judeu em suas veias e precisa despertar.
    Que o Eterno te abençoe.
    SHALOM.

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  3. Os judeus sefarditas foram expulsos de Portugal ou forçados ao exílio a partir das perseguições de finais do século XV, muitos continuando a considerar-se e a referir-se a si mesmos como “judeus portugueses”.
    Presentemente, constituem um grupo pequeno, sendo que a maioria vive no Brasil. A Halachá, lei judaica foi constituída pelos judeus Ashkenazi, descendentes do Norte da Europa. Ambas comunidades tiveram momentos tão "dantescos" que é impossível mesurar quem sofreu mais ou menos, porém os resultados (finais) no cerne do povo foram diferentes: Os que sobreviveram ao holocausto, saíram fortalecidos na fé judaica, enquanto os sefarditas tiveram uma diluição (forçada) que os enfraqueceu-os pelas assimilações forçadas. Portanto a descendência dos judeus que passaram pela inquisição foi quase toda apagada, os documentos queimados pela igreja e os filhos tirados a força das famílias judias e entregues a famílias católicas, etc. Quando sabemos nossa ancestralidade é algo muito especial e inusitado. Ainda resta o FTDNA, um teste que vai te esclarecer muito sobre sua ascendência.
    Quanto a aceitação na comunidade, como a halachá tem suas bases Ashkenazi, só pode ser aceitos como judeus filhos de mãe judias. devido a "assimilação". Ainda é possível, porém é um longo caminho a percorrer. Estude sobre retorno e conversão.

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  4. Shalom, gostaria muito de fazer o teste pois meus antecedentes familiares são de Pernambuco e parte de mãe do RJ e me lembro que tinham costumes que eu pensava ser crendice, hoje entendo que eram costumes Judaicos e Cabalísticos além disso meu nome e sobrenome tanto da parte de pai e mãe são dos Serfarditas. Poderia me ajudar e me dar o endereço ou site para fazer o teste FTDNA por favor? Obrigado.

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  5. Segundo uma halachá ashkenazim " judeu é todo aquele filho de mãe judia",no entanto não lemos na Torah ou Tanach: " Eu os introduzirei na terra prometida às suas mães Sarah,Rebeca,Lia e Rachel","habitarão a terra dada às suas mães Sarah,Rebeca,Lia e Rachel" ou "nossas mães Sarah,Rebeca,Lia e Rachel" ou ainda "o Messias receberá o trono de Bate-Seba sua mãe",o que lemos é: "Eu os introduzirei na terra prometida a seus pais Abraão,Isaac e Jacó","habitarão a terra dada a seus pais Abraão,Isaac e Jacó" ou "nossos pais Abraão,Isaac e Jacó" ou ainda "o Messias receberá o trono de Davi seu pai". Então porque essa halachá absurda? A resposta é: após a última guerra dos judeus contra Roma em 135 da era Cristã,idealizada pelo rabino Akiva e o revolucionário Bar Coziba,Filho da Mentira,que Akiva quis fazer ser o Messias para cumprir a profecia de Números 24:17,morreram mais de 500 mil judeus,além dos feridos,quase mil aldeias foram destruídas incluindo Jerusalém,centenas e centenas de mulhres foram estupradas pelos goyim romanos,os sobreviventes foram vendidos como escravos,os mercados ficaram abarrotados,"comprar um escravo judeu era mais barato que um cavalo";esse foi o resultado da política de interesses desastrosa de Akiva e Bar Coziba. Então os sacerdotes e membros do Sanhedrim sobreviventes decidiram que "judeu seria todo aquele filho de mãe judia",pois havia o risco dos judeus desaparecer,será? D'us que fez uma aliança com Seu povo iria deixar isso acontecer? Ele prometeu que "os descendentes de Abraão seriam como estrelas no céu e o pó na terra,que habitariam a terra de Israel para todo o sempre". Era essa a fé dos sacerdotes no Eterno,que cumpre Suas promessas? Ao que parece muitos dos ashkenazim são descendentes das mulheres violentadas pelos soldados romanos e para esconder ou sobretudo justificar que possuem ao menos 50% de DNA semita mantêm essa halachá absurda,isso se aquelas mulheres estupradas eram filhas de mãe e pai judeus,do contrário seus antepassados não tinham nem 50% de DNA judeu. Se essa halachá tivesse algum valor,Davi e seu filho Salomão não seriam judeus,pois Rute bisavó de Davi era moabita e a mãe de Boaz,marido de Rute,era a cananéia Raabe e Boaz e seu pai descendiam de Peres,filho de Tamar outra cananéia. Sendo assim pergunto: "Mi Hu 100% Yehudi? Quem é 100% judeu"? Os ashkenazim desobedecem às leis dadas por D'us aos nossos antepassados no Monte Sinai para seguir tradições criadas por homens e se sentem no direito de nos impor conversão ou por todo tipo de obstáculos para nos impedir de restaurar nossas origens judaicas.

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  6. Além dos argumentos acima, que parecem ser bem fundamentados principalmente quando reprovam pontos de vista ashkenazim, há uma dúvida: quem de fato é ben anús, para que possa reivindicar seu status? Este é outro problema que deve ser resolvido. A inquisição deixou de atuar no Brasil, mesmo a branca, por volta de 1780 mais ou menos, desde este tempo não se observou movimentos em prol de restaurar a comunidade dos filhos dos judeus obrigados pela inquisição. Somente a umas duas décadas é que esse ímpeto apareceu, dentro das igrejas e por motivos religiosos. Desde que me conheço por gente sei que o paradigma judaico é a comunidade, ou seja, pessoas que partilham de objetivos comuns, como língua, costumes, etc. Mesmo uma gíria deveria estar remanescente para caracterizar aos bnei anusim, mas não se observa isso! O caminho é um só, criar uma comunidade independente da comunidade brasileira, cuja maioria é ashkenazi, para reunir e organizar os bnei anusim, que possa ter representantes eleitos, porque as organizações de bnei anusim criadas até agora mais parecem igrejas. Há disputas pelo controle, surgem rabinos, etc.. sempre alguém querendo ter a primazia. Isso não funciona. Há um exemplo da comunidade da Holanda que passou por um problema parecido, mas se reuniu em comunidade e tudo deu certo, de tal sorte que, daquela comunidade, foi criada a organização Talmud Torah. Não havia nem profetas, pastores ou "rabinos" querendo comandar, apenas as pessoas querendo reunir a comunidade. Assim vai funcionar também com bnei anusim.

    talmidkatan@gmail.com

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